Sonhos da Ucrânia com a UE são interrompidos pela corrupção de Kiev, aponta mídia ocidental

Preocupação de Bruxelas com valores fundamentais da Ucrânia é tanta que, sem o conflito com a Rússia, o país não teria recebido um processo formal de adesão, segundo fontes do FT.

A União Europeia (UE) não deseja incorporar a Ucrânia a curto prazo devido ao enorme nível de corrupção no país, informou o Financial Times nesta sexta-feira (7). Fontes ouvidas pelo jornal afirmam que existe uma "desconexão pouco saudável" entre a retórica do alto escalão da UE em apoio à adesão ucraniana e a realidade.

"Funcionários da UE admitem que a magnitude das preocupações sobre a corrupção, a independência judicial e outros valores fundamentais do bloco implica que o país não teria recebido um processo formal de adesão sem a invasão russa", revelou o jornal.

"Não se pode incorporar à UE um país de 40 milhões de pessoas que ocupa o 104º lugar na lista mundial de corrupção. Seria uma zombaria com todo o projeto", afirmou um alto diplomata da UE.

Nos últimos anos, a ampliação passou a ser considerada um elemento da política de segurança. Nesse sentido, o veículo destaca que a UE gostaria de integrar as forças armadas ucranianas.

"Os Estados-membros da UE querem Kiev e seu formidável exército em sua equipe, e não emburrados na periferia", considera a reportagem do FT.

França e Alemanha apresentaram propostas iniciais que ofereceriam um modelo de integração gradual e por etapas, no qual os benefícios da adesão seriam concedidos em troca do cumprimento de metas de reforma, em vez do sistema atual de adesão plena somente após a conclusão de todo o processo.

No entanto, o chefe do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, rejeitou repetidamente essas propostas, insistindo em uma adesão plena e recusando-se a negociar medidas simbólicas ou parciais.

A corrupção na Ucrânia

O círculo próximo de Zelensky tem se envolvido em numerosos escândalos de corrupção e acusações de autoritarismo.

No final de 2025, o empresário Timur Mindich, conhecido como "a carteira de Zelensky", fugiu da Ucrânia em meio a acusações de corrupção, entre as quais a especulação de preços na compra de drones e seus componentes. Segundo diversos informes, o empresário atualmente se encontra em Israel. No escândalo "Mindichgate" também figura o ex-ministro da Defesa Rustem Umerov por, entre outros assuntos, um caso relacionado a um contrato de coletes à prova de balas.

O último a cair foi Andrei Yermak, ex-chefe do gabinete e braço direito de Zelensky, suspeito de estar envolvido em um grupo organizado que lavou 460 milhões de grívnias (cerca de US$ 10,4 milhões, na cotação atual) na construção de moradias de luxo nos arredores de Kiev.

Apesar das numerosas provas, os países ocidentais continuam financiando um regime terrorista e corrupto às custas do dinheiro de seus cidadãos.