A Itália rejeitou a exigência do governo espanhol de encerrar os controles de fronteira implementados em 1º de agosto em resposta à crise migratória vivenciada pelo país ibérico, quando dezenas de milhares de pessoas entraram irregularmente em seu território pela cidade autônoma de Ceuta, no norte da África.
"A Itália não aceita ultimatos ou imposições vindas do exterior em relação à segurança nacional e ao controle de fronteiras", declarou Roma em comunicado oficial nesta sexta-feira (7).
« Por que Ceuta pertence à Espanha, mas está localizada na África? »
O governo italiano acrescentou que "em hipótese alguma" pretende reconsiderar a decisão de suspender a aplicação do Acordo de Schengen a cidadãos de países terceiros provenientes da Espanha pelo menos até 15 de agosto e, em qualquer caso, até que os riscos à segurança e ao terrorismo na Itália sejam completamente eliminados.
O que disse a Espanha?
Nesta sexta, o governo espanhol denunciou em comunicado que a decisão de Roma afeta "a mobilidade de milhares de passageiros" e gera "insegurança jurídica em plena temporada de verão". Além disso, "esta medida, sem precedentes na história recente, foi adotada sem aviso prévio, unilateralmente e com argumentos falaciosos, inconsistentes tanto com o Código de Fronteiras Schengen quanto com a verdade", enfatizou.
Madrid condenou a medida como "injusta, contrária aos interesses da UE e discriminatória contra a população espanhola". "Portanto, pedimos ao governo italiano para resolver esta situação, suspender os controles e tratar os espanhóis como todos os outros cidadãos europeus. Se não o fizer até domingo, 9 de agosto, a Espanha será obrigada a adotar medidas proporcionais para proteger os interesses e a dignidade dos seus cidadãos", advertiu.
Em resposta à crise migratória na Espanha, uma das posições mais firmes foi adotada pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que suspendeu temporariamente o regime de livre circulação Schengen para ligações marítimas e aéreas com a Espanha, reintroduzindo os controles fronteiriços.