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Palantir paga apenas 1,4% de seus lucros na Europa em impostos

A empresa usa de subterfúgios legais para contabilizar a sua receita nos Estados Unidos, aonde se beneficia de diversas isenções de impostos. Segundo o porta-voz da companhia, a prática é completamente legal e prática comum entre empresas multinacionais.
Palantir paga apenas 1,4% de seus lucros na Europa em impostosGettyimages.ru / picture alliance

Um novo relatório do Centro para Responsabilidade e Pesquisa Tributária Corporativa Internacional (CICTAR) publicado em julho revelou que a Palantir Technologies está transferindo os lucros de suas operações europeias para os Estados Unidos de forma a minimizar os impostos pagos aos países aonde opera.

O documento revela que embora 26% da receita da companhia provenha de clientes fora dos EUA, apenas 4% dela é oficialmente contabilizada no exterior. Os pesquisadores acreditam isso se deve aos contratos serem assinados com a matriz americana da Palantir, que por sua vez paga uma "taxa de serviço" às suas subsidiárias locais.

Isso permitiu que a empresa, com lucros projetados de US$ 1,6 bilhão em 2025, pagasse apenas US$ 22,7 milhões em impostos, representando meros 1,4% de seus ganhos totais, graças às isenções fiscais concedidas à empresa durante o primeiro e o segundo mandatos presidenciais de Donald Trump.

A Palantir nega ter infringido a lei. Um porta-voz da empresa disse ao jornal britânico The Guardian nesta quarta-feira (5) que a prática é "padrão, e praticamente universal para grandes corporações multinacionais".

Reputação polêmica

Fundada em 2003 pelo bilionário da tecnologia Peter Thiel, aliado de Trump, a Palantir fornece software de análise de dados para governos em todo o mundo. Sua tecnologia é utilizada nas áreas de defesa, inteligência, segurança pública e até mesmo no setor de saúde.

A empresa é frequentemente questionada por sua postura, como sua colaboração com as Forças de Defesa de Israel.

Em março, o uso do sistema Maven, ferramenta que processa imagens de satélite em tempo real para acelerar a identificação de alvos em operações militares, foi questionado após um ataque contra uma escola de meninas em Minab, durante o início da ofensiva contra o Irã.

Investigações de veículos como Washington Post e The Guardian levantaram a hipótese de que uma interpretação equivocada de dados pela inteligência artificial da Palantir possa ter classificado erroneamente o estabelecimento civil como um alvo militar.

A empresa publicou um manifesto ideológico defendendo uma autocracia baseada na tecnologia, e defendendo a supremacia do ocidente coletivo sobre o resto da humanidade.

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