
Empresa de tecnologia divulga manifesto e provoca críticas sobre militarização da IA

A empresa norte-americana de software de defesa e inteligência Palantir publicou nas redes sociais, em 18 de abril, um resumo dos principais argumentos do livro "A república tecnológica: Tecnologia, política e o futuro do ocidente", escrito pelo diretor-executivo Alexander Karp e por Nicholas W. Zamiska.
No texto, divulgado na rede social X, a companhia afirma que o Vale do Silício possui uma "dívida moral" com os Estados Unidos e que a elite tecnológica tem obrigação de participar da defesa nacional. O manifesto sustenta que o poder global das democracias depende cada vez mais de "hard power" construído por meio de software avançado.
Segundo a publicação, "a questão não é se armas de IA serão construídas; é quem as construirá e com qual propósito", defendendo que adversários estratégicos não interromperão o desenvolvimento dessas tecnologias por debates éticos.
Nova era
O livro argumenta que a era da dissuasão nuclear está chegando ao fim e que uma nova fase baseada em inteligência artificial começa a se consolidar. O resumo afirma ainda que, "se um fuzileiro naval dos EUA pedir um rifle melhor, devemos construí-lo; o mesmo vale para software".
A obra também sustenta que grandes empresas de tecnologia devem assumir papel ativo na segurança nacional, ampliar o desenvolvimento tecnológico voltado à defesa e reconsiderar modelos tradicionais de serviço militar e participação cívica.
Segundo a emissora norte-americana NBC News, a Palantir mantém contratos com agências do governo dos Estados Unidos, incluindo o Exército norte-americano, além de parcerias com forças militares estrangeiras, entre elas Israel.

Críticas
A divulgação do manifesto provocou críticas de acadêmicos e comentaristas. O filósofo da tecnologia Mark Coeckelbergh classificou a proposta como um exemplo de "tecnofascismo". Já o economista grego Yanis Varoufakis afirmou que o posicionamento indica disposição para "adicionar à ameaça nuclear uma ameaça impulsionada por IA à existência da humanidade", escrevendo nas redes sociais que "robôs assassinos movidos por IA estão chegando".
Outros críticos apontaram trechos do livro que defendem o fortalecimento militar do Ocidente e criticam o que os autores chamam de "pluralismo vazio". O comentarista geopolítico Arnaud Bertrand afirmou que o texto revela uma agenda ideológica e alertou para o impacto da proposta sobre a arquitetura de segurança internacional.
