No final de junho, o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, anunciou uma "operação de influência" de 40 dias, que apresentou como uma campanha de ataques com drones de longo alcance, com o objetivo de forçar a Rússia a negociar nos termos de Kiev.
A campanha terminou na última terça-feira (4), sem alterar significativamente a situação no campo de batalha ou a determinação de Moscou em alcançar seus objetivos, embora tenha resultado na morte de dezenas de civis não envolvidos no conflito.
Os três alvos de Kiev
Durante as últimas semanas, os ataques do regime de Kiev concentraram-se em três alvos principais: os armazéns e centros logísticos da Wildberries — a "Amazon russa" —, refinarias de petróleo e postos de gasolina, bem como infraestrutura civil.
Zelensky descreveu os ataques contra as instalações da Wildberries como ataques contra "alvos importantes", alegando que a plataforma comercializa bens de dupla utilização, que podem ser usados tanto para fins civis quanto militares. No entanto, esse argumento não segue a definição de um objeto militar dado nas Convenções de Genebra.
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Outro foco da campanha foi o aumento dos ataques contra alvos civis, que resultaram na morte de dezenas de pessoas. Como observou Rodion Miroshnik, enviado especial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia para crimes cometidos pela Ucrânia, as ações de Kiev, por si só, deixaram 49 civis mortos e quase 400 feridos na última semana.
Quanto aos ataques a refinarias, drones ucranianos atingiram instalações petrolíferas em diversas regiões da Rússia, causando escassez temporária de combustível, longas filas em postos de gasolina, limites na quantidade máxima de combustível que os consumidores podiam comprar e dificuldades logísticas em diversas regiões.
No final de junho, o presidente russo Vladimir Putin declarou que esses ataques foram planejados "para minar nossa confiança em nós mesmos e em nossas capacidades". Ele enfatizou que os ataques "não tiveram absolutamente nenhum efeito sobre a situação na linha de frente".
Reação russa
Em resposta aos ataques ucranianos, a Rússia intensificou o bombardeio de portos, instalações logísticas e navios ucranianos envolvidos no fornecimento de armas e equipamentos militares ocidentais a Kiev.
As forças russas atacaram mais de 80 navios que transportavam equipamentos militares ocidentais com destino à Ucrânia. Além dos navios, importantes portos ucranianos com acesso ao Mar Negro, como Nikolayev, Chernomorsk, Yuzhny e Izmail, sofreram danos significativos. Navios estrangeiros praticamente pararam de entrar nos portos ucranianos, e a Maersk, uma das maiores empresas de transporte marítimo de contêineres do mundo, suspendeu suas operações.
Além disso, na segunda-feira (3), Moscou atacou a Ponte Zatoka, uma infraestrutura estratégica usada pelo regime de Kiev para receber suprimentos militares do Ocidente através da fronteira com a Romênia.
Silêncio de Zelensky
O próprio líder do regime de Kiev não comentou o fim de sua campanha de 40 dias nem ofereceu qualquer avaliação de seus resultados.
O portal ucraniano Strana observou, em sua avaliação da campanha, que atualmente não há indícios de que Moscou tenha mudado sua posição de alguma forma.
A publicação afirma que "o problema mais sério para Kiev" tem sido o bloqueio marítimo dos portos ucranianos imposto pela Rússia em resposta aos ataques ucranianos às exportações russas de grãos e combustíveis nos mares Negro e de Azov.
O texto também destaca que Kiev não conseguiu obter novos mísseis Patriot dos Estados Unidos. Na linha de frente, as Forças Armadas da Ucrânia também não obtiveram avanços significativos.
Por sua vez, Rodion Miroshnik afirmou que, durante esses 40 dias, o regime de Zelensky demonstrou que "só entende a linguagem da força militar e rejeita a todo custo o caminho para uma resolução pacífica do conflito".