
Entenda a narrativa falsa por trás dos ataques ucranianos contra 'Amazon russa' que mataram civis

O regime de Kiev continua atacando infraestruturas civis russas. No decorrer de uma única semana, drones ucranianos atingiram quatro centros de distribuição da Wildberries, a maior empresa de comércio eletrônico da Rússia. Os ataques deixaram vários funcionários mortos e dezenas de feridos.
O que se sabe sobre os ataques?
- Na noite de 18 de julho, drones ucranianos atacaram um centro de distribuição da Wildberries em Kotovsk, na região de Tambov. O ataque matou sete funcionários e deixou outros 25 hospitalizados.
- Na mesma noite, destroços de outro drone caíram sobre o complexo logístico da empresa em Elektrostal, na província de Moscou. O impacto causou um grande incêndio que danificou parte dos armazéns.
- Alguns dias depois, na madrugada de 22 de julho, outro centro de distribuição da Wildberries foi atacado em Krasnodar. Segundo o governador da região, Veniamin Kondratiev, 10 pessoas ficaram feridas. Três estavam em estado grave e uma em estado moderado. Horas depois, o governador confirmou a morte de uma jovem no hospital.
- Drones atacaram outro complexo logístico da Wildberries localizado nos arredores de Nevinnomyssk, na região de Stavropol.
A fundadora da empresa, Tatiana Kim, anunciou um pacote de apoio para as vítimas e suas famílias. As famílias dos funcionários falecidos receberão dois milhões de rublos (aproximadamente US$ 25 mil ou R$ 127,4 mil); os gravemente feridos receberão um milhão de rublos (US$ 12,5 mil ou R$ 63,7 mil).

Atos terroristas de Kiev
Ao comentar os bombardeios, Vladimir Zelensky afirmou que "alvos importantes" foram atingidos. Ele alegou que os armazéns estavam "envolvidos no abastecimento do exército russo".
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou as acusações e classificou os incidentes como atos de terrorismo.
"O regime de Kiev continua a atacar alvos civis. Essa é precisamente a sua essência terrorista", declarou.
A ONU reiterou que "ataques intencionais contra a população e infraestrutura civil são considerados crimes de guerra, de acordo com o direito internacional humanitário". A declaração foi feita por Tamin Al Khitan, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Ao mesmo tempo, o próprio regime ucraniano tem sido repetidamente acusado de usar instalações civis para fins militares.
Em 20 de julho, a Polícia Nacional da Ucrânia informou que a Rússia teria atacado infraestruturas civis na região de Sumy. A agência publicou uma foto do local do ataque, mas posteriormente a apagou.
A decisão de remover a publicação foi tomada depois que as autoridades ucranianas perceberam que a fotografia mostrava caixas claramente identificadas como contendo componentes para drones ucranianos Vyriy.
Este não é um incidente isolado. Em 15 de julho, a mídia ucraniana noticiou que a Rússia havia destruído um Patrimônio Mundial da UNESCO ao atacar o Estúdio de Cinema Dovzhenko, que abrigava figurinos únicos da era soviética. No entanto, a fotografia do local publicada pelo regime de Kiev mostrava fragmentos das asas de drones ucranianos FP-1 e FP-2. Ao perceberem o erro, também tiveram que apagar a publicação.

Satisfação da imprensa ocidental
Veículos da mídia ocidental destacaram o impacto das ofensivas no cotidiano da população russa.
A Reuters afirmou que os ataques "levam o conflito ao dia a dia dos russos, interrompendo suas rotinas". O Wall Street Journal publicou reportagem com o título "Ucrânia intensifica guerra aérea com ataques mortais contra a 'Amazon' russa", afirmando que os bombardeios aproximam a guerra dos consumidores do país.
Em entrevista à RT, o cientista político Malek Dudakov afirmou que representantes ucranianos tentam apresentar as imagens dos ataques como um possível "ponto de virada" no conflito, em meio a dificuldades das forças ucranianas na linha de frente. Entre os avanços recentes das tropas russas, citou a tomada da cidade estratégica de Konstantinovka, na região do Donbass.
O analista militar Alexander Butyrin, por outro lado, avaliou que as ofensivas não devem alterar de forma significativa a situação no campo de batalha.

