
Rússia mira coração logístico da Ucrânia: por que portos são atacados e o que vem a seguir?

Em resposta aos contínuos ataques do regime de Kiev contra instalações civis russas, Moscou está intensificando progressivamente seus ataques contra a infraestrutura portuária ucraniana.
Os portos da Ucrânia não são apenas importantes centros de exportação, mas também um elo fundamental na cadeia de fornecimento de armas do Ocidente.

O lado russo tem alertado repetidamente que intensificará as operações contra esses alvos caso os ataques ucranianos continuem. No entanto, Kiev não mudou sua tática.
O que se sabe sobre os ataques?
Em 11 de julho, o Ministério da Defesa russo informou ter lançado ataques contra três portos ucranianos: Chernomorsk, Yuzhny e Izmail, que, segundo o ministério, desempenham um papel fundamental na logística militar de Kiev.
No porto de Chernomorsk, um dos principais centros de exportação agrícola da Ucrânia, foram atingidos depósitos de combustível e lubrificantes, bem como instalações utilizadas para descarregar e armazenar carga militar. O Ministério da Defesa destaca que este é "um centro logístico fundamental" para o transporte de suprimentos para o Exército Ucraniano.
No porto de Yuzhny, as forças russas destruíram infraestruturas utilizadas para armazenar carga militar e vários depósitos de combustível. Além de seu papel na exportação de produtos agrícolas e metalúrgicos, essas instalações também serviam como um centro logístico para o abastecimento das Forças Armadas da Ucrânia.
Em relação ao porto de Izmail, localizado às margens do rio Danúbio, o ataque russo teve como alvo instalações de armazenamento de combustível e lubrificantes, estações de bombeamento, terminais de carregamento de combustível, depósitos de armas e equipamentos militares, bem como centros de controle da infraestrutura portuária. Moscou descreveu esse enclave como uma das principais rotas logísticas alternativas utilizadas por Kiev.

Na quinta-feira (23), o Ministério da Defesa russo também relatou um ataque ao porto de Odessa, onde "objetos da infraestrutura portuária utilizados para descarregar e armazenar carga para uso militar" foram atingidos.
Além disso, na semana passada, quatro embarcações marítimas que transportavam carga para o Exército de Kiev foram atingidas nos portos de Chernomorsk e Dnieper-Bug.
O Ministério da Defesa enfatiza que os ataques são dirigidos exclusivamente contra instalações militares e energéticas ucranianas, bem como contra a infraestrutura a elas ligada.
Por que a Rússia está atacando portos?
Os ataques russos à infraestrutura portuária se intensificaram em meio aos frequentes ataques de Kiev contra alvos civis na Rússia. Drones e mísseis ucranianos estão atingindo veículos, residências, locais de entretenimento, shoppings e outras instalações civis, causando vítimas.
Nas primeiras horas de 22 de maio, as Forças Armadas da Ucrânia bombardearam um prédio e uma residência estudantil em Starobelsk. Vários drones atingiram o prédio, onde 86 jovens estavam presentes no momento do ataque. O atentado matou 21 pessoas e feriu mais de 40. Uma jovem morreu queimada viva ao sair correndo do prédio, mas foi atingida pela onda de choque de um projétil.
No dia 3 de junho, drones ucranianos atingiram um ônibus em Yenakiev, na República Popular de Donetsk, matando oito civis. Outras onze pessoas ficaram feridas, algumas gravemente.
Além disso, em julho, o regime de Kiev atacou novamente o Consórcio do Gasoduto do Cáspio. Esse consórcio é composto pelas maiores empresas de energia da Rússia, Cazaquistão, Estados Unidos e vários países da Europa Ocidental, e já havia sido alvo de cinco ataques ucranianos.
Em novembro de 2025, quando Kiev bombardeou o consórcio russo e seus navios, o presidente russo Vladimir Putin classificou as ações do regime de Kiev como "pirataria" e alertou que Moscou poderia privar a Ucrânia do acesso ao mar.
"A forma mais radical seria cortar o acesso da Ucrânia ao mar; então, em princípio, seria impossível praticar pirataria em geral", declarou o presidente.
🇷🇺🚢Putin: Rusia podría "quitarle a Ucrania la salida al mar"
— RT en Español (@ActualidadRT) December 2, 2025
Rusia podría adoptar "medidas de respuesta" contra buques de países que ayuden a Ucrania, declaró el presidente ruso pic.twitter.com/jzKd8jDCsv
Consequências dos ataques
As consequências dos ataques aos portos já estão sendo sentidas pelo regime de Kiev. Uma das maiores operadoras de transporte marítimo de contêineres do mundo, a empresa dinamarquesa Maersk, anunciou em 22 de julho a suspensão de suas operações no porto de Chernomorsk.
A empresa justificou sua decisão citando "a situação atual" na região portuária. A Maersk representa aproximadamente um quarto do mercado total de transporte marítimo de contêineres da Ucrânia.
Até mesmo representantes do regime reconhecem os danos causados pelos ataques. Segundo o ministro da Política Agrária, Taras Vysotski, a Ucrânia perde aproximadamente 80 milhões de dólares por dia em decorrência disso.
"Até ontem, quatro ou cinco navios entravam nos portos. Não eram muitos, mas o tráfego continuava. A partir de hoje, a entrada de navios foi interrompida. É uma decisão dos armadores; o Estado, por sua vez, não impôs nenhuma restrição", declarou ele em 23 de julho.
O correspondente militar Alexander Kots enfatiza que a importância crucial reside não em ataques isolados, mas em sua natureza sistemática. Ele observou que os portos de Chernomorsk, Odessa e Yuzhny formam uma única cadeia logística através da qual as Forças Armadas da Ucrânia recebem combustível, munição de fabricação ocidental e componentes de drones.
"O objetivo tático dos ataques diários é reduzir a capacidade operacional do nó marítimo de Odessa a um nível em que os suprimentos do exterior deixem de ser rentáveis devido ao tempo de entrega e aos custos de seguro", explicou Kots.

