A pressão sobre o presidente da FIFA, Gianni Infantino, aumentou nesta segunda-feira (3), com as federações de Sérvia, Suécia e País de Gales anunciando a retirada de apoio à candidatura do dirigente para um novo mandato à frente da entidade.
A Inglaterra também deve adotar a mesma posição, segundo a agência Reuters.
O movimento ocorre após o fracasso da proposta de Infantino de vender cerca de 20% de uma nova empresa responsável pela gestão de competições da FIFA, incluindo a Copa do Mundo, a investidores privados. O plano foi abandonado na sexta-feira (31) diante da forte resistência de federações e demais partes interessadas.
Somam-se a isso os problemas relacionados à interferência política na Copa do Mundo, como a ingerência de Donald Trump na anulação de um cartão vermelho a um jogador da seleção norte-americana.
Imagem prejudicada
Em nota, a Federação Sérvia afirmou que reviu seu apoio após acontecimentos recentes que "prejudicaram seriamente a imagem e a reputação tanto da FIFA quanto de seu presidente". Já a Federação Sueca declarou que perdeu a confiança na liderança de Infantino em razão de "falhas recorrentes de governança, transparência e gestão".
O País de Gales, primeiro a retirar formalmente o apoio, afirmou que os recentes problemas relacionados à governança, liderança, comunicação e relacionamento com as partes interessadas fizeram com que Infantino perdesse a confiança da entidade para permanecer à frente do futebol mundial.
Sem confiança
A crise se intensificou depois que as confederações continentais UEFA e CONCACAF anunciaram, no sábado (1º), que também perderam a confiança no dirigente. A UEFA informou ainda ter emitido uma ordem para preservação de documentos, impedindo a destruição de e-mails e arquivos diante da possibilidade de futuras investigações relacionadas ao caso.
Apoio de Trump
Infantino chegou a buscar apoio do presidente dos Estados Unidos, após o colapso da proposta de venda. De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, o dirigente tentou contato telefônico com Trump diversas vezes, mas não conseguiu falar com o presidente norte-americano e teria relatado sentir-se "isolado" diante da repercussão negativa.
O atual chefe da FIFA anunciou em abril a intenção de disputar um quarto mandato consecutivo à frente da FIFA. Desde que assumiu o comando da entidade, em 2016, após a saída de Sepp Blatter, o dirigente foi reeleito duas vezes sem enfrentar adversários.
Embora a recondução para o mandato de 2027 a 2031 fosse considerada praticamente certa, especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que a atual crise revelou um descontentamento crescente entre os membros da FIFA e que pode animar a eleição prevista para março de 2027, no Marrocos.