
Assessor de Infantino renuncia em protesto contra venda de direitos da Copa do Mundo

Carlos Cordeiro, o assessor sênior do presidente da FIFA, Gianni Infantino, renunciou ao cargo após manifestar oposição à possível venda de parte dos direitos da Copa do Mundo, informou o Sky News nesta sexta-feira (31).

Justificando a decisão, o ex-assessor afirmou que os planos teriam impacto negativo no futebol.
"Como conselheiro sênior do presidente da FIFA, ex-banqueiro e fã de futebol de longa data, não posso ficar de braços cruzados enquanto a FIFA considera vender uma participação na Copa do Mundo. Deixe-me ser claro: não tive qualquer envolvimento nesta proposta e me oponho a ela inequivocamente. É um mau negócio para as Associações Membro da FIFA, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro do esporte a longo prazo", afirmou Cordeiro em declaração à mídia.
Ele destacou que a FIFA já tem acesso a recursos financeiros "extraordinários" e possui "capacidade financeira para fornecer esse apoio com seus recursos existentes".
"Vender uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol para arrecadar US$ 4,2 bilhões faz pouco sentido. É hipotecar o futuro do futebol sem qualquer justificativa convincente", argumentou.
Ele também enfatizou que a responsabilidade da organização é de "proteger e fortalecer o futebol para as gerações futuras" e não de "maximizar os lucros comerciais a qualquer custo".
Investir na Copa do Mundo? Entenda a proposta
O plano da FIFA prevê a criação de uma nova empresa, chamada FIFA Forward Enterprise (FFE), que ficaria responsável pela administração dos direitos comerciais das competições organizadas pela entidade, incluindo transmissões, patrocínios, venda de ingressos e licenciamento de produtos.
A proposta prevê a entrada de investidores externos com participações minoritárias, sem poder de controle. De acordo com o Financial Times, a participação privada poderia chegar a cerca de 20%.
A FIFA afirma, no entanto, que manteria o controle da nova empresa por meio de maioria no conselho de administração e continuaria com autoridade exclusiva sobre decisões relacionadas à governança do futebol, competições, calendário e regras do esporte.

