
Apocalipses na Terra podem ocorrer de forma periódica: quando será o próximo?

O geólogo Michael Rampino, da Universidade de Nova York, identificou um padrão cíclico de eventos catastróficos que afetam o planeta há pelo menos 260 milhões de anos, informou o site ScienceAlert na terça-feira passada (28).

Em seu livro "Evolving Earth" ("Terra em evolução, em tradução livre), publicado em 2026, o cientista analisou 89 eventos geológicos significativos e concluiu que extinções em massa, erupções vulcânicas, crises de oxigênio nos oceanos e flutuações drásticas do nível do mar ocorrem em ciclos de aproximadamente 27,5 milhões de anos.
Rampino estudou episódios de extinção de organismos marinhos e vertebrados terrestres, além de períodos de anoxia oceânica e mudanças no leito oceânico. Ao longo do período analisado, o pesquisador contabilizou entre nove e dez eventos de cataclismos, separados por intervalos de igual duração. A análise estatística também revelou uma periodicidade secundária de cerca de 8,9 milhões de anos, embora menos intensa.
Possíveis causas do ciclo
O autor não defende que uma catástrofe cause diretamente a outra, mas sugere que diversos sistemas terrestres podem responder simultaneamente a processos internos do planeta. Uma hipótese envolve o movimento do manto terrestre – mudanças em seus fluxos podem influenciar atividade vulcânica, tectônica de placas e formação de montanhas, afetando o clima, os oceanos e a vida ao longo de milhões de anos.
Outra explicação aponta para alterações climáticas e do nível do mar, que redistribuem massas de água, gelo e sedimentos, alterando a carga sobre a crosta e influenciando a atividade tectônica e vulcânica.
Rampino também considera a influência cósmica. À medida que o sistema solar orbita o centro da Via Láctea, ele cruza o plano médio da galáxia – momentos que coincidem aproximadamente com eventos geológicos importantes na Terra. Esses cruzamentos poderiam perturbar gravitacionalmente cometas na Nuvem de Oort, aumentando a probabilidade de impactos de asteroides.
Teorias mais especulativas envolvem matéria escura: se sua concentração perto do plano galáctico for maior, a Terra poderia capturar pequenas quantidades, elevando ligeiramente a temperatura interna e influenciando processos geológicos. No entanto, ainda não há evidências concretas dessa hipótese.
Apesar de ainda não ser aceita pela corrente principal da ciência, Rampino ressalta que a hipótese resistiu a décadas de refinamento em geocronologia. Segundo seus cálculos, o último grupo de catástrofes ocorreu há 7 milhões de anos – o próximo ciclo está previsto para daqui a mais de 20 milhões de anos.

