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Em afastamento da Europa, EUA entregam comando de assistência à Ucrânia para aliados da OTAN

Transição da liderança americana no Security Assistance Group levará um ano. Movimento faz parte de ampla retirada dos EUA de comandos europeus sob governo Trump.
Em afastamento da Europa, EUA entregam comando de assistência à Ucrânia para aliados da OTANGettyimages.ru / NurPhoto / Colaborador

O Pentágono decidiu abrir mão da liderança do Security Assistance Group-Ukraine (SAG-U), comando da OTAN sediado na Alemanha responsável por coordenar auxílio militar à Ucrânia, revelou o jornal Politico na sexta-feira (31).

A transição, que levará aproximadamente um ano, representa mais um capítulo no distanciamento dos Estados Unidos de seus parceiros europeus.

Estabelecido em novembro de 2022, o SAG-U desempenha papel central à estratégia atlantista ao coordenar tanto o fluxo de equipamentos militares quanto programas de treinamento e suporte logístico para as forças ucranianas.

Sua atuação, nas palavras do ex-secretário-geral da OTAN Jens Stoltenberg, faz "diferença real no campo de batalha todos os dias".

Sob nova direção

A mudança segue o esforço de realocação dos comandos da OTAN, promovido pelo governo de Donald Trump desde fevereiro de 2026. O Reino Unido assumiu o Joint Command Center em Norfolk, a Itália herdou o comando em Nápoles, enquanto Alemanha e Polônia ficaram com Brunssum. Simultaneamente, brigadas americanas foram retiradas da Romênia e Polônia.

Autoridades da OTAN afirmam que outro membro da aliança assumirá o comando do SAG-U, mantendo envolvimento americano através de um vice-comandante.

O Pentágono, citado pela reportagem, justificou a decisão como "redistribuição de responsabilidades dentro da Aliança" e alinhamento com a Estratégia Nacional de Defesa dos EUA.

Perspectivas divergentes

A mudança simboliza reconfiguração mais ampla nas relações transatlânticas, refletindo pressões do governo Trump para que aliados assumam maior responsabilidade pela própria defesa.

O secretário de Guerra, Pete Hegseth, deixou clara a mensagem em Bruxelas, no mês passado: a OTAN não pode mais ser "tigre de papel nem via de mão única".

Enquanto aliados europeus demonstram apoio à transição, autoridades ucranianas expressam preocupações ambivalentes.

Por um lado, reconhecem vantagens na redução de riscos associados à turbulência política americana; por outro, temem que a burocracia da OTAN possa retardar o fluxo de assistência, especialmente considerando capacidades insubstituíveis dos EUA em reconhecimento por satélite e logística de transporte pesado.