Lula desafia Trump e Milei: "Extrema-direita não voltará ao poder enquanto eu viver"

O presidente desafiou intervencionistas externos e defendeu investimento público e combate ao crime organizado como alternativas ao projeto de seus opositores.

Durante convenção partidária realizada em Fortaleza na noite de sexta-feira (31), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou um desafio contundente aos mandatários dos Estados Unidos e da Argentina.

O petista declarou que, enquanto estiver vivo, a extrema-direita não retornará ao comando do Brasil, confrontando diretamente Donald Trump e Javier Milei, ambos apoiadores da família Bolsonaro na corrida presidencial marcada para outubro.

"Se quiser vir Trump, Milei, que venha. Não quero ajuda de fora. A única ajuda que quero é a do povo brasileiro para que possamos manter a democracia neste país", afirmou.

As declarações ocorrem em meio às crescentes tensões diplomáticas. Os EUA aplicaram tarifas de 25% e 12,5% sobre exportações brasileiras, justificando a medida pela condenação de Jair Bolsonaro no inquérito da trama golpista. Já Milei participou da convenção do PL em São Paulo, onde atacou o governo brasileiro e chamou Lula de "presidiário".

Clima de campanha

O evento oficializou a candidatura de Elmano de Freitas à reeleição como governador do Ceará, além de confirmar Gabriella Aguiar como vice-governadora e Cid Gomes para o Senado.

Lula aproveitou a ocasião para defender sua concepção de governo, pautada em maior investimento público, valorização da indústria nacional e retomada de direitos sociais.

Sem mencionar diretamente o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo colocado nas pesquisas, o presidente enfatizou: "O que faz um candidato ter credibilidade não é o que ele vai prometer, é o que ele já fez. Disputa entre verdade e mentira, obra e ilusão".

Sobre segurança pública, bandeira tradicionalmente explorada pela extrema-direita, Lula destacou iniciativas do governo.

"Aprovamos a Lei Antifacção e temos uma PEC da Segurança Pública no Senado. Não é para prender pobre. Queremos combater o crime organizado".

O presidente também criticou a composição atual do Senado, afirmando que a Casa "tem metade apodrecida" e precisa ser renovada nas eleições de 2026.