
De ataques a acusações sobre a Copa: entenda os atritos entre Lula e Milei

O presidente argentino, Javier Milei, desembarcou na sexta-feira (24) no Brasil para participar da convenção do Partido Liberal (PL) e declarar apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência. Desde esse episódio, que já era visto pelo Palácio do Planalto como uma provocação política, as tensões entre os dois países só aumentaram.
Durante o evento, realizado no sábado (25), Milei elevou o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de "ladrão" e "condenado". Na ocasião, também criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por impedir uma visita ao seu "amigo", o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O argentino chamou Moraes de "lixo careca".

A resposta veio no dia seguinte, quando o Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou o embaixador brasileiro na Argentina para consultas, medida considerada um forte sinal simbólico de descontentamento no meio diplomático. Em gesto semelhante, o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, foi convocado ao Itamaraty para prestar esclarecimentos.
Na sequência, Milei acusou Lula, sem apresentar provas, de liderar uma campanha "anti-Argentina" durante a Copa do Mundo de 2026. Segundo ele, a campanha faz parte de uma "guerra cultural" e teria contado com o envolvimento da imprensa e de outras autoridades de alto escalão para generalizar episódios de racismo e promover uma imagem negativa da Argentina.
"Quem investiu mais dinheiro nesta campanha anti-Argentina foi o Brasil. Uns 25% dos recursos (financeiros) saíram do governo do Brasil", afirmou o mandatário argentino em entrevista a um programa de rádio no domingo (26).
Reação dos ministros
De volta ao lado brasileiro, os ministros Dario Durigan, da Fazenda, e Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, subiram o tom contra Milei após os ataques durante o evento bolsonarista.
Durigan chamou Milei de "palhaço", afirmando que se sentiu na obrigação de responder às críticas do argentino à economia brasileira. Já Boulos disse que o presidente da Argentina é uma "caricatura patética" e um "puxa-saco" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
"O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta", afirmou Durigan.
Mais tarde, em entrevista à GloboNews, Durigan disse que a declaração foi uma manifestação pessoal e não representa uma posição oficial do governo. Segundo ele, decidiu responder porque as críticas do presidente argentino atingiram diretamente a política econômica brasileira.
"Não tem o menor cabimento um presidente de outro país vir aqui, sem comunicação oficial, xingar as autoridades, criticar a política econômica, fazendo dancinha. Não dava pra não responder", declarou.

