Colonos israelenses roubaram bens de ao menos um prédio palestino na aldeia de Tal, na Cisjordânia ocupada, nesta sexta-feira (31), enquanto soldados israelenses seguiam o grupo sem intervir. A informação foi divulgada por um correspondente da Reuters que presenciou a cena.
Os militares também bloquearam estradas para permitir a passagem de mais de 100 colonos que marchavam em direção à aldeia. Bombas de fumaça foram lançadas contra veículos que se aproximavam da mobilização.
O Exército israelense afirmou que estava na região para dispersar e retirar os colonos. As forças militares também negam as acusações de que permitem ou colaboram com atos de violência contra palestinos.
Danos em Tal
A Reuters visitou um cemitério com lápides quebradas que, segundo moradores, foi vandalizado por colonos na presença de soldados. O Exército afirmou ter recebido relatos sobre a depredação, mas não apresentou mais detalhes. "Em vez de detê-los, o Exército os ajudava", disse o morador Mustafa Ali Abu Bakr.
Forças israelenses fecharam os acessos a Tal, balearam e feriram ao menos um palestino e prenderam pelo menos três pessoas, conforme os moradores. Munther Shtayya, vice-presidente do conselho local, afirmou que 24 habitantes continuavam sob custódia.
Tensão entre colonos e palestinos
Um ataque de colonos no dia 24 de julho deixou quatro palestinos e dois israelenses mortos. O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu classificou o episódio como terrorismo, enquanto moradores palestinos afirmam que agiram para se defender. Após o caso, canais administrados por colonos pediram "vingança".
O Exército realiza operações e prisões quase diariamente em Tal desde então. A maioria dos países e órgãos da ONU considera ilegais os assentamentos israelenses na Cisjordânia, posição rejeitada por Israel. Os palestinos reivindicam o território como base de um futuro Estado independente.