O ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, participou nesta quinta-feira (23) de uma incursão de mais de 4,2 mil colonos e integrantes de grupos extremistas ao complexo da Mesquita Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental ocupada. A ação ocorreu durante o feriado de Tisha B'Av, data judaica que marca a destruição de um antigo templo no mesmo local, informou a Al Jazeera.
Ben-Gvir entrou no complexo sob forte escolta policial, em uma das maiores incursões do ano ao terceiro local mais sagrado do islã, segundo autoridades palestinas.
Segundo a administração palestina do governo de Jerusalém, 4.288 israelenses já haviam acessado a área até o momento, com previsão de o número chegar a 5 mil até o pôr do sol — patamar superior ao de anos anteriores na mesma data.
Restrições a palestinos
Forças israelenses impuseram controles rígidos nos portões da mesquita e impediram a entrada de grande parte dos fiéis e estudantes palestinos, segundo autoridades palestinas, que também relataram agressões contra fiéis no local.
A correspondente da Al Jazeera em Ramallah, Nour Odeh, afirmou que as autoridades israelenses adotaram "medidas extremas" na Cidade Velha, restringindo o acesso ao complexo a idosos e reforçando postos de controle, incluindo o de Qalandiya.
Um acordo de 1967 permite a visita de não muçulmanos ao local, mas proíbe que orem ali. Ainda assim, a polícia israelense autorizou mais de mil israelenses a rezar no complexo.
Rituais no complexo
Colonos realizaram rituais talmúdicos dentro da área, incluindo prostrações, cânticos e orações, de acordo com o governo de Jerusalém. Ben-Gvir disse que os judeus que visitam o local no Tisha B'Av "se sentem donos" e classificou a situação atual como um "progresso enorme".
"Provocação inaceitável"
A governadoria de Jerusalém classificou a entrada de Ben-Gvir como uma escalada perigosa, afirmando que ela reflete o respaldo oficial do governo israelense a ações antes associadas a grupos que defendem a reconstrução de um templo judaico no local.
Já o Ministério das Relações Exteriores da Autoridade Palestina condenou o que descreveu como uma violação clara do direito internacional.
O grupo palestino Hamas, por sua vez, alertou que os "atos flagrantes de agressão vão se voltar contra a ocupação e seus colonos".
Para o Ministério das Relações Exteriores da Jordânia, que também reagiu à visita de Ben-Gvir, o caso constitui "uma profanação da santidade da mesquita, uma escalada, um ato bárbaro e uma provocação inaceitável".
O porta-voz da chancelaria, embaixador Fouad Majali, advertiu que esse tipo de ação viola o status quo histórico e legal do local e pediu que a comunidade internacional pressione Israel a interromper o que Amã descreveu como violações contínuas contra locais sagrados islâmicos e cristãos em Jerusalém.