PF aponta visita de Jaques Wagner a 'Ilha da Paixão', indicando relação íntima com sócio de Vorcaro

Após incluir o senador Jaques Wagner (PT-BA) em investigação que apura um suposto esquema bilionário de fraudes no Banco Master, a Polícia Federal (PF) aponta indícios de uma relação mais íntima de seu envolvimento — o senador e sua esposa teriam visitado a Ilha da Paixão, propriedade sob controle de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master e apontado como um dos gestores envolvidos nas irregularidades.
As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo na quinta-feira (30).
A visita teria ocorrido em outubro de 2023, segundo o relatório da PF. O local servia de ponto de encontro para familiares e pessoas próximas ao empresário, conforme evidenciam fotografias e conversas em grupos de WhatsApp.
O relacionamento próximo entre Wagner e Lima foi documentado através de mensagens trocadas cotidianamente.
As tratativas entre Wagner e os executivos do Master eram conduzidas predominantemente por chamadas de voz e áudios, em aparente tentativa de evitar registros escritos.
Essa característica levou o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), a autorizar o monitoramento dos celulares do senador e de Lima, como apontado pelo portal g1.
Sugestão adversária
Outro elemento relevante surgiu das conversas entre Vorcaro e o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, do governo Bolsonaro, como aponta o portal Poder360.
Em maio de 2024, quando o fundador do Master comentou ter recebido apoio de ACM Neto — ex-deputado federal (2003-2012) e prefeito de Salvador (2013-2020) pelo Democratas e atual vice-presidente nacional do União Brasil —, Faria sugeriu que ele se aproximasse do PT baiano, afirmando que "não seria problema".

A investigação busca indícios de que o parlamentar do PT baiano teria atuado em defesa dos interesses da instituição no Congresso Nacional e, em contrapartida, recebido benefícios indevidos de executivos ligados ao banco liquidado pelo Banco Central.
Entre as vantagens apontadas pelos investigadores estão um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, uso gratuito de aeronaves particulares, ingressos para shows e repasses financeiros a empresas vinculadas a familiares do senador.
«JAQUES WAGNER E CASO MASTER: O QUE AS INVESTIGAÇÕES MOSTRAM ATÉ AGORA?»
Nove fases
A Operação Compliance Zero já percorreu nove fases desde novembro de 2025. Além de Wagner, outros políticos foram alvos, incluindo o senador Ciro Nogueira e o ex-governador Cláudio Castro.
As investigações apontam pagamento de propina a funcionários do Banco Central, intimidação de adversários e uso de fundos fraudulentos para maquiar os balanços da instituição. Os valores bloqueados ou sequestrados superam R$ 5,7 bilhões.
Wagner, por sua vez, nega as acusações e afirma que nunca atuou em favor do Banco Master. Procurados pelas reportagens referenciadas, o senador, Augusto Lima, Fábio Faria e ACM Neto não se manifestaram sobre as citações no relatório policial.

