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Ciro Nogueira usava empresas de parentes para ocultar mesada de Vorcaro, aponta PF — Folha

Relatórios do Coaf apontaram uma rede de transações que envolveu dinheiro em espécie, servidores públicos e beneficiários de programas sociais para dificultar a identificação dos destinatários dos recursos e mascarar dinheiro repassado pelo ex-banqueiro preso ao senador.
Ciro Nogueira usava empresas de parentes para ocultar mesada de Vorcaro, aponta PF — FolhaReprodução

Empresas de parentes e pessoas com ligações com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) integravam um esquema de movimentação financeira destinado a ocultar a origem de recursos repassados pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro. É o que apontou uma investigação da Polícia Federal (PF), segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (17).

De acordo com relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), foram identificados mais de R$ 13 milhões em operações consideradas "atípicas" envolvendo empresas da família do parlamentar.

Segundo a PF, um "circuito integrado" ligava companhias do grupo de Ciro Nogueira e empresas vinculadas a Vorcaro então dono do Banco Master.

A investigação apontou que a estrutura teria sido usada para "ocultação, dissimulação e reinserção de recursos de origem incompatível" com a capacidade financeira formal dos envolvidos, tendo o senador como provável "beneficiário final".

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Entre os anos de 2024 e 2025, segundo a PF, Vorcaro teria repassado ao menos R$ 6 milhões ao senador através de operações feitas pela BRGD, dirigida por Felipe Vorcaro, primo de Daniel, e pela fintech PJBank.

Os valores eram recebidos por companhias da família Nogueira, misturados a receitas legítimas e posteriormente redistribuídos dentro da rede empresarial do grupo.

Dinheiro em espécie e possíveis laranjas 

Os investigadores também apontaram depósitos em dinheiro em espécie, transferências feitas por prováveis laranjas: servidores públicos e movimentações atribuídas a pessoas com baixa renda ou beneficiárias de programas sociais.

O padrão, segundo a PF, indica o provável uso de terceiros para "reduzir a exposição direta do agente político principal".

A Folha informou que procurou Ciro Nogueira, Daniel Vorcaro, a PJBank e demais citados, mas não recebeu respostas até a publicação da reportagem.

Também procurado, o deputado federal Jadyel Alencar (Republicanos-PI), citado na investigação, alegou que um repasse de R$ 357 mil se referia à compra de uma aeronave.