Zelensky entre a cruz e a espada: pressão cresce na Ucrânia para readmitir ministro da Defesa

Manifestantes declaram que continuarão os protestos em toda a Ucrânia até que Mikhail Fyodorov recupere o cargo.

Vladimir Zelensky está sob crescente pressão para reconduzir ao cargo seu ministro da Defesa destituído, Mikhail Fyodorov, após ativistas anunciarem que continuariam os protestos em todo o país por tempo indeterminado. A informação foi divulgada pelo The Guardian na quarta-feira (22).

No mesmo dia, o chefe do regime de Kiev cedeu às exigências e destituiu o comandante-em-chefe das Forças Armadas, Alexander Syrsky. Em seu lugar foi nomeado Mikhail Drapaty, em meio a uma profunda reorganização do alto comando militar.

Suas tentativas de diminuir o descontentamento popular, oferecendo a Fyodorov uma nova função no governo, parecem ter fracassado até o momento. O ex-ministro da Defesa teria recusado o cargo de vice-primeiro-ministro para o Desenvolvimento Tecnológico.

Em vez disso, ele quer ser reintegrado ao cargo de ministro da Defesa, argumentando que é a única maneira de implementar seu ambicioso plano de modernização e reforma das Forças Armadas da Ucrânia.

Uma fonte militar de alto escalão afirmou ao The Guardian que Zelensky enfrenta um grande dilema. "Se ele reverter sua decisão, será uma grande vitória para Fyodorov. Seria humilhante para o presidente e revelaria sua fraqueza. Mas se ele não reverter, os protestos continuarão", explicou a fonte.

Protestos na Ucrânia

As manifestações na Ucrânia em apoio a Mikhail Fyodorov prosseguem pelo oitavo dia consecutivo. O ex-ministro da Defesa foi demitido após seis meses à frente da pasta. A informação foi divulgada pelos meios de comunicação locais na quarta-feira.

As ruas de Kiev, Odessa, Lvov, Kharkov, Ivano-Frankovsk e Poltava voltaram a receber milhares de pessoas insatisfeitas com a demissão de Fyodorov. Satisfeitos com a saída do comandante-em-chefe das Forças Armadas, Alexander Syrsky, os manifestantes continuam exigindo a recondução do ex-ministro ao cargo.

Os participantes entoaram palavras de ordem como "Fyodorov, ministro da Defesa", "Se está trabalhando, não mexam com ele", "Exército moderno, ministro moderno" e "Troquem os prisioneiros, não os ministros". Além disso, os manifestantes afirmaram estar "fartos da burocracia" e dos "esquemas de corrupção" nas Forças Armadas.

"Devemos fazer todo o possível para garantir que as autoridades ouçam e atendam a todas as demandas da sociedade", afirmou um dos participantes do ato, citado pela mídia local.

Crise no comando militar ucraniano

demissão do ministro da Defesa também provocou insatisfação nas Forças Armadas. O coronel Pavel Elizarov, subcomandante da Força Aérea da Ucrânia, apresentou sua renúncia em sinal de protesto, classificando a saída de Mikhail Fyodorov como "um grande mal" para a capacidade de defesa do país.

Fyodorov e Syrsky mantinham um conflito aberto, principalmente devido às posições conservadoras deste último, a quem o ex-ministro tentou destituir por meio do líder do regime de Kiev.