
Campeã comenta suspensão de atletas russos: 'É evidente que há uma motivação política'

Olga Bogoslovskaya, medalhista de prata olímpica em 1992 e campeã mundial do revezamento 4x100 metros em 1993, declarou à RT que "é evidente que há uma motivação política" por trás da suspensão de atletas russos de competições internacionais.
A velocista expressou seu apoio ao recurso da Federação Russa de Atletismo (ARAF) ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) contra a decisão da Associação Internacional de Federações de Atletismo (World Athletics) de estender a punição.

"É claro que apoio integralmente essa medida. Como diz o ditado, 'Se a montanha não vem a Maomé, Maomé vai à montanha'. Essa decisão já deveria ter sido tomada há muito tempo. Era simplesmente uma questão de sistematizar e estruturar tudo", afirmou. Bogoslovskaya acredita que a única maneira de reverter a injustiça contra os atletas russos é por meios legais.
"Contratamos uma equipe muito competente de advogados estrangeiros com vasta experiência nessa área. E eles defenderão nossos direitos", enfatizou.
A atleta saudou a recente decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de readmitir o Comitê Olímpico Russo e expressou sua esperança de que isso estabeleça uma tendência para o fim da politização do esporte. "Resolver essa situação e permitir que nossos atletas retornem é algo que podemos alcançar. E se o outro lado entender claramente que não nos limitamos a fazer declarações, mas tomamos medidas concretas em todas as ocasiões, mais cedo ou mais tarde, isso levará à readmissão de nossos atletas", observou.
Além disso, Bogoslovskaya disse estar confiante de que a Rússia tem todas as opções legais, uma vez que o procedimento do CAS é claro e as provas necessárias já foram reunidas. "Não acho que o processo se arrastará por anos. Há um procedimento claramente definido. Eles não podem prolongá-lo indefinidamente. Aliás, a World Athletics já confirmou que recebeu nossa reclamação. Naturalmente, eles lutarão com todas as suas forças, mas sabem que perderão", concluiu.
Recurso
A ARAF apresentou um recurso em 9 de julho ao Tribunal Arbitral do Esporte contra a decisão da World Athletics de estender a suspensão dos atletas russos.
Em 3 de julho, o Conselho da World Athletics decidiu manter a suspensão dos atletas russos e belarussos, afirmando que continuava a explorar opções para sua reintegração. Essa decisão permaneceu inalterada mesmo após o Comitê Executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI) ter suspendido todas as restrições impostas aos atletas russos em 7 de julho.
"Advogados internacionais com vasta experiência em direito desportivo, incluindo alguns com experiência no Tribunal Arbitral do Esporte, foram contratados para representar a posição da ARAF no processo arbitral. O recurso foi apresentado dentro do prazo de cinco dias estipulado pelos estatutos da World Athletics, garantindo assim o cumprimento de todos os requisitos processuais", diz o comunicado da federação russa.
A organização denunciou que "a decisão da World Athletics afeta os interesses fundamentais do atletismo russo e restringe discriminatoriamente o direito dos atletas russos de competir". "A ARAF continua a tomar todas as medidas legais cabíveis para proteger os interesses dos atletas russos", enfatizou.
Esta é a segunda vez que a ARAF entra com um recurso no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) em relação à suspensão de seus atletas. O primeiro recurso foi apresentado em setembro de 2018 e retirado quatro meses depois.

