
Rússia tenta reverter suspensão de seus atletas, que reagem à iniciativa

Atletas russos reagiram ao recurso da Federação Russa de Atletismo (ARAF, na sigla em inglês) ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) contra a decisão da Associação Internacional de Federações de Atletismo (World Athletics) de estender a suspensão dos atletas russos.
"Se a ARAF decidiu recorrer ao CAS, significa que a direção da nossa federação assumiu que simplesmente não havia outras opções. Espero que este caso seja analisado em seus méritos e que uma decisão justa seja tomada, permitindo finalmente que nossos atletas compitam internacionalmente. Não sou advogada, mas acredito que existe uma possibilidade real", disse a saltadora em altura Anna Chicherova à RT.
"Isso levará à readmissão de nossos atletas"
A velocista Olga Bogoslovskaya expressou apoio ao recurso da Federação Russa de Atletismo ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) contra a decisão da Associação Internacional de Federações de Atletismo (World Athletics) de estender a suspensão.
"É claro que acolho esta medida de todo o coração. Como diz o ditado, 'Se a montanha não vai a Maomé, Maomé deve ir à montanha'. Esta decisão já deveria ter sido tomada há muito tempo. Simplesmente precisava ser sistematizada e estruturada", declarou.
Bogoslovskaya acredita que a única maneira de reverter a injustiça contra os atletas russos é por meios legais.
"Contratamos uma equipe muito forte de advogados estrangeiros com vasta experiência nesta área. E eles defenderão nossos direitos", enfatizou a velocista.

A atleta saudou a recente decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de readmitir o Comitê Olímpico Russo e expressou sua esperança de que isso estabeleça uma tendência para o fim da politização do esporte.
"Resolver essa situação e permitir o retorno de nossos atletas é algo que podemos alcançar. E se o outro lado entender claramente que não nos limitamos a fazer declarações, mas tomamos medidas concretas a cada vez, mais cedo ou mais tarde, isso levará à readmissão de nossos atletas", disse ela.
Bogoslovskaya afirmou estar confiante de que a Rússia tinha todas as chances legais, já que o procedimento do CAS era claro e as provas necessárias já haviam sido reunidas.
"Não acho que o processo se arrastará por anos. Existe um procedimento claramente definido. Eles não podem prolongá-lo indefinidamente. Aliás, a World Athletics já confirmou que viu nosso recurso. Naturalmente, eles lutarão com todas as suas forças, mas sabem que perderão", concluiu.
"Estou cético"
Por sua vez, o campeão mundial e europeu dos 110 metros com barreiras, Sergey Shubenkov, não se mostrou tão otimista: "Não estou acompanhando a situação de perto porque, na minha opinião, já se arrasta há muito tempo. E tudo o que podia ser feito já foi tentado. Atualmente, não há mecanismos que possam contornar a posição firme do presidente da Associação Internacional de Federações de Atletismo."
"Francamente, perdi a esperança de voltar a competir internacionalmente há alguns anos", confessou Shubenkov. "Se algo resultar disso, ficarei muito surpreso, porque estou cético", disse o campeão, ao ser questionado sobre o possível desfecho do recurso.
Recurso
A Federação Russa de Atletismo (ARAF) entrou com um recurso em 9 de julho no Tribunal Arbitral do Esporte contra a decisão da World Athletics de estender a suspensão dos atletas russos.
Em 3 de julho, o Conselho da World Athletics decidiu manter a suspensão dos atletas russos e belarussos, observando que continuava a explorar opções para sua readmissão.
A decisão permaneceu inalterada mesmo após o Comitê Executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI) ter suspendido todas as restrições impostas aos atletas russos em 7 de julho.
"Advogados internacionais com vasta experiência em direito desportivo, incluindo alguns com experiência no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), foram contratados para representar a ARAF no processo arbitral. A ação foi ajuizada dentro do prazo de cinco dias estipulado pelos estatutos da World Athletics, garantindo assim o cumprimento de todos os requisitos processuais", afirmou a Federação Russa de Atletismo (ARAF) em comunicado.
A federação denunciou que "a decisão da World Athletics afeta os interesses fundamentais do atletismo russo e restringe de forma discriminatória o direito dos atletas russos de competir".
"A ARAF continua a tomar todas as medidas legais cabíveis para proteger os interesses dos atletas russos", enfatizou.
Esta é a segunda vez que a ARAF entra com recurso no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) em relação à suspensão de seus atletas. O primeiro recurso foi ajuizado em setembro de 2018 e retirado quatro meses depois.

