O músico britânico Roger Waters, cofundador do icônico grupo de rock Pink Floyd, afirmou que a Rússia "não quer invadir a Europa" e criticou o discurso de governos ocidentais sobre uma suposta ameaça russa ao continente. A declaração foi publicada nesta sexta-feira (17) em entrevista ao jornalista Tucker Carlson.
"Os russos não querem invadir a Europa. Do que estão falando?", questionou.
Ao ser perguntado se teme uma guerra entre o Ocidente e a Rússia, Waters respondeu que o preocupa o tom adotado por autoridades dos EUA e da Europa.
"Me preocupa que algumas pessoas nos governos dos Estados Unidos, do Reino Unido e da União Europeia estejam fazendo declarações assustadoras e sedentas de sangue sobre a possibilidade de lutar, particularmente na Alemanha", afirmou.
Críticas à OTAN
Waters também criticou a meta da OTAN de elevar os gastos militares dos países-membros para 5% do PIB até 2035.
Segundo o músico, há uma tentativa de fazer com que esse percentual "seja colocado em um grande cofrinho para lutar contra os russos".
Ele sugeriu ainda que políticos fazem esse tipo de declaração porque "talvez lhes peçam para dizer essas coisas, seja lá quem for que esteja pagando".
Interesses políticos
Para Waters, a política continua sendo "um negócio" na Europa e, principalmente, nos Estados Unidos.
"Há uma elite governante com muito dinheiro que paga os políticos para fazerem o que ela quer, porque isso lhes rende dinheiro. É ganância. Eles são gananciosos, na minha opinião", declarou.
Referência a Kennedy
O músico também citou um discurso do ex-presidente John F. Kennedy em defesa de melhores relações com a Rússia.
"Ele disse: 'Devemos fazer as pazes com os russos. Eles são nossos irmãos e irmãs'. E veja onde estamos agora. Estão desesperados para ter uma guerra com a Rússia. É disso que se trata toda essa história da Ucrânia", afirmou.
Waters concluiu: "Kennedy estava certo e foi assassinado".
Segunda Guerra Mundial
Ao final, o artista lembrou o papel da União Soviética na Segunda Guerra Mundial.
"Vocês sabem quem são os russos? Vinte milhões de russos morreram salvando este planeta dos nazistas. Vinte milhões. E nós queremos lutar contra eles", disse.
- Nos últimos anos, o Ocidente intensificou sua narrativa sobre uma suposta ameaça russa. Sob esse pretexto, que Moscou considera infundado, os países da OTAN vêm reforçando seu flanco oriental.
- Por sua vez, Moscou afirmou repetidamente que não pretende atacar a Europa. O presidente russo, Vladimir Putin, declarou que as elites governantes europeias estão mergulhadas na "histeria" de que "uma guerra com os russos está prestes a acontecer". "É impossível acreditar nisso, embora tentem convencer sua própria população", acrescentou. Além disso, o presidente afirmou que a atual crise ucraniana é uma consequência direta de anos em que o Ocidente ignorou os interesses legítimos de segurança de Moscou e manteve sua política de criar ameaças ao país por meio da expansão da OTAN em direção às fronteiras russas.
- Por sua vez, o chanceler russo, Sergey Lavrov, denunciou que as declarações dos líderes ocidentais demonstram que eles estão se preparando "seriamente" para uma guerra contra a Rússia. Segundo ele, o objetivo de impor uma derrota estratégica à Rússia continua presente no pensamento e nos planos dos líderes europeus.