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Candidato a primeiro-ministro da Polônia quer impor condições à Ucrânia

"Não foi essa tática que os americanos usaram há um ano e meio, quando o Sr. Zelensky saiu disparado do Salão Oval como se fosse um foguete", declarou Przemyslaw Czarnek.
Candidato a primeiro-ministro da Polônia quer impor condições à UcrâniaGettyimages.ru / Artur Widak/Anadolu

A Polônia deve impor condições à Ucrânia e não fazer tudo por Kiev sem reservas, declarou Przemyslaw Czarnek, vice-presidente do principal partido de oposição da Polônia, "Lei e Justiça" (PiS), e candidato a primeiro-ministro, em entrevista à RFM nesta sexta-feira (17).

"Os ucranianos não nos deram drones, os ucranianos incentivam o partidarismo, os ucranianos nos excluem de várias coalizões. Se os ucranianos fizerem algo contra a Polônia, temos sempre de fazer tudo pela Ucrânia? Não, podemos impor algumas condições, certo?", declarou Czarnek.

Como exemplo, o político sugeriu que Kiev "se abstivesse de dar à unidade militar mais importante da Ucrânia o nome de 'Heróis da UPA*', ou seja, das pessoas responsáveis ​​pelo genocídio e pelas atrocidades contra cerca de 150 mil poloneses".

"Cada país age de forma a servir os seus próprios interesses", afirmou. "E o interesse nacional da Polónia reside também no fato de a Ucrânia respeitar os interesses polacos", destacou.

Exemplo dos EUA

Ele lembrou também a acalorada discussão que o líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, teve em fevereiro de 2025 com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca.

Após a disputa, Washington e Kiev cancelaram a assinatura de um acordo sobre os recursos do subsolo e de terras raras do país.

Pouco depois, Zelensky afirmou que a Ucrânia havia recebido das autoridades americanas uma nova versão do acordo sobre minerais críticos, que era "completamente diferente" do documento anterior.

Diversas veículos de imprensa sugeriram que se tratava de um caso de "roubo" ou "reparações de guerra ".

"Estou falando de uma tática específica que sempre pode ser aplicada", observou Czarnek. "Não foi essa tática que os americanos usaram há um ano e meio, quando o Sr. Zelensky saiu disparado do Salão Oval como se fosse um foguete e retornou ao mesmo escritório duas semanas depois, assinando imediatamente um acordo sobre depósitos de terras raras?", afirmou.

Atritos entre Kiev e Varsóvia

A declaração ocorre em meio ao crescente desgaste das relações entre Varsóvia e Kiev. Na Polônia, que nos últimos anos foi um dos aliados mais comprometidos da Ucrânia, as divergências em torno da memória histórica passaram a tensionar a relação bilateral.

Um dos principais pontos de atrito é a figura de Stepan Bandera, colaborador nazista exaltado como herói nacional na Ucrânia e líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)*, responsável por massacres de poloneses na Volínia e no leste da Galícia.

Além disso, há poucos dias, a sociedade polonesa reagiu com indignação aos planos de construir em Kiev um Panteão Nacional para homenagear, entre outros, "personagens de destaque" do Exército Insurgente Ucraniano (UPA)*, grupo armado responsável pelo massacre de dezenas de milhares de civis poloneses durante a Segunda Guerra Mundial, especialmente após a aprovação do projeto pelo Parlamento ucraniano.

O UPA* foi o braço armado da OUN, que durante a Segunda Guerra Mundial buscou estabelecer um Estado ucraniano étnica e religiosamente homogêneo

Unidades ligadas ao UPA participaram do pogrom de Lvov, em 1941, no qual judeus foram linchados e assassinados, e entre 1943 e 1944 perpetraram o massacre de aproximadamente 100 mil civis poloneses no que hoje corresponde ao oeste da Ucrânia.

Essa questão continua sendo uma das mais sensíveis nas relações bilaterais, e as iniciativas de Vladimir Zelensky para glorificar colaboradores do nazismo provocaram forte condenação na Polônia.

Nesse contexto, Nawrocki retirou de Vladimir Zelensky a Ordem da Águia Branca em razão da glorificação de colaboradores nazistas.

*Organização reconhecida como extremista e terrorista e proibida na Rússia