Prisões cercadas por crocodilos: o plano medieval de Israel contra prisioneiros palestinos

Apesar das objeções de alguns funcionários do governo, uma espécie de crocodilo recebeu um status legal especial que abre caminho para a implementação da iniciativa.

A ministra do Meio Ambiente de Israel, Idit Silman, declarou o crocodilo-do-nilo como uma espécie de "fauna silvestre de manejo especial", abrindo caminho para um plano de colocar esses predadores ao redor de prisões, informou o Ynet nesta sexta-feira (17).

A iniciativa, apelidada de "Jacaré Alcatraz" israelense, partiu do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que propôs a colocação de crocodilos ao redor de centros de detenção para presos condenados por crimes contra a segurança nacional. O projeto piloto foi planejado para a Prisão de Ktziot, no Deserto do Negev, notória por seu histórico de maus-tratos a prisioneiros palestinos.

A decisão de conceder esse novo status aos animais selvagens foi tomada apesar das objeções do consultor jurídico do próprio ministério de Silman e da Autoridade de Natureza e Parques de Israel. Autoridades alertaram que a iniciativa carece de base técnica, precedentes modernos e pode violar a legislação vigente.

O apelido da iniciativa coincide com o de um centro de detenção de imigrantes inaugurado pelas autoridades da Flórida, EUA, em julho de 2025. Os jacarés e os pântanos que cercavam as instalações foram apresentados como obstáculos a possíveis fugas, enquanto o centro se tornou um símbolo do endurecimento da política de imigração do governo do presidente Donald Trump.