'Irreconhecível': Médico de Gaza denuncia espancamentos em prisão subterrânea israelense

"Eles me trouxeram aqui para me matar. Não me vejo sobrevivendo. Este é o fim", relatou um dos médicos mais conhecidos de Gaza, Hussam Abu Safiya.

Um dos médicos mais renomados de Gaza, Hussam Abu Safiya, está "irreconhecível" devido a ferimentos graves sofridos sob custódia israelense após 18 meses detido sem acusação formal ou julgamento, segundo seu advogado, citado pelo The Guardian nesta segunda-feira (6).

Abu Safiya, ex-diretor do hospital Kamal Adwan, no norte da Faixa de Gaza, se reuniu com seu advogado, Nasser Odeh, em 2 de julho, após ser transferido no fim de junho para a prisão subterrânea de Rakefet, em Israel.

De acordo com o advogado, ele apresentava dificuldade para respirar e falar continuamente, extrema fraqueza e mal conseguia permanecer sentado, além de aparentarrisco de desmaio.

"Não me vejo sobrevivendо"

Em declaração conjunta com a organização Physicians for Human Rights Israel (PHRI), Odeh afirmou que o médico disse temer pela própria vida. "Eles me trouxeram aqui para me matar. Não me vejo sobrevivendo. Este é o fim", relatou o médico, citado pelo advogado.

O advogado afirma que o médico foi submetido a espancamentos por guardas e desmaiou diversas vezes em decorrência das agressões.

Em sua avaliação, o estado físico e psicológico do cliente indica risco imediato à vida, o que motivou pedidos de avaliação médica independente.

A prisão de Rakefet, onde ele está detido, fica em uma instalação subterrânea sem luz natural e foi reativada por decisão do ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir.

Organizações de direitos humanos afirmam que o local é considerado desumano e relatam condições de superlotação e falta de ventilação.