Super El Niño deve abalar economia brasileira, afirma governo

Com o fenômeno climático, o Ministério da Fazenda revisou a projeção da inflação para cima e agora prevê juros altos por mais tempo.

Osuper El Niño ganhou destaque nas projeções do Ministério da Fazenda para a economia brasileira. No Boletim MacroFiscal divulgado na quarta-feira (15), a pasta afirma que a intensificação do fenômeno climático pode provocar eventos extremos, pressionar os preços de alimentos e energia e contribuir para uma inflação mais alta em 2026.

A Fazenda revisou a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026 de 4,5% para 5,1%. As novas tarifas dos Estados Unidos e as tensões geopolíticas também entraram como fatores adicionais de risco.

De acordo com o boletim, parte dessa alta reflete justamente a estimativa de alimentos mais caros "diante da possibilidade de um El Niño mais intenso", além dos efeitos do choque do petróleo, da piora das expectativas do mercado e da persistência da inflação em serviços e bens industriais.

Outros fatores

O documento ressalta que, embora a queda recente do preço do petróleo, os juros elevados e a desaceleração da atividade econômica ajudem a conter a inflação, esses fatores não compensam totalmente as novas pressões.

Soma-se a isso a instabilidade, uma vez que conflitos seguem no Oriente Médio, e acordos de paz são ignorados diariamente.

Para os alimentos, a previsão é de maior alta no segundo semestre, impulsionada pelo risco climático e pelos efeitos do aumento dos preços dos fertilizantes (relacionado ao conflito no Golfo).

Na América Latina, o Ministério da Fazenda afirma que a inflação de alimentos já foi afetada em alguns países por fatores climáticos e logísticos e avalia que o El Niño pode ampliar essas pressões.

Juros altos

Segundo o boletim, esse cenário, combinado com a inflação persistente e a postura mais rígida do Federal Reserve (Fed) norte-americano, tende a manter os bancos centrais de países latino-americanos "mais cautelosos, com juros restritivos por mais tempo".

Os impactos também aparecem nas projeções para a atividade econômica. A estimativa de crescimento da indústria em 2026 foi reduzida de 2,2% para 2,1%, em parte devido à expectativa de um regime hidrológico menos favorável associado ao El Niño, que pode reduzir a geração de energia elétrica no segundo semestre.

Em contrapartida, a projeção para a agropecuária foi elevada de 1,2% para 1,8%, apesar do risco de que os efeitos climáticos afetem principalmente a safra de 2027.