
Teerã: 'Se o Irã não se beneficiar do acordo com os EUA, não temos motivo para cumpri-lo'

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu nesta quarta-feira (15) que, se o Irã não se beneficiar do memorando de entendimento com os Estados Unidos, não haverá razão para cumpri-lo.
"O memorando de entendimento só faz sentido quando suas cláusulas são válidas e implementadas. Caso contrário, se a República Islâmica do Irã não se beneficiar desse texto, também não teremos razão para cumpri-lo", afirmou Ghalibaf em uma mensagem dirigida ao povo iraniano.
"Com base na política de olho por olho que já mencionei, não temos razão para cumprir esse acordo. Como estamos vendo nestes dias, nossas Forças Armadas, como sempre, têm plena liberdade de ação para enfrentar a agressão do inimigo", acrescentou o presidente do Parlamento iraniano.

Irã reforça posição sobre Ormuz
As declarações de Ghalibaf foram feitas depois de ele instar o povo iraniano a permanecer permanentemente preparado para defender sua pátria. Ele afirmou que seu país está em uma guerra existencial contra os Estados Unidos, que buscam derrubar o sistema da República Islâmica e desmembrar seu território nacional.
Em sua mensagem, Ghalibaf também afirmou que o país agora pode falar "a partir de uma posição de força no Estreito de Ormuz". Segundo ele, "a resistência unificada do povo iraniano e de nossas Forças Armadas anulou esse plano sinistro do inimigo durante a guerra" e obrigou Washington a solicitar um cessar-fogo e iniciar negociações. Ainda assim, advertiu que "os Estados Unidos sempre adotam uma postura arrogante e jamais aceitariam um Irã forte".
O presidente do Parlamento explicou que, diferentemente de conflitos anteriores, o Irã agiu corretamente ao fechar o Estreito de Ormuz devido ao cenário de insegurança. "Hoje também, nossa segurança nacional está na preservação dos acordos iranianos sobre o Estreito de Ormuz", afirmou.
'Negociação não equivale à capitulação'
Segundo Ghalibaf, com o início da guerra contra os Estados Unidos, Teerã passou a exercer controle sobre o estreito. Ele acrescentou que, durante as negociações, o Irã consolidou "a firmeza e os acordos iranianos sobre o Estreito de Ormuz na cláusula 5 do memorando de entendimento", transformando esse ponto em "uma alavanca para a implementação das outras quatro cláusulas".
O parlamentar também afirmou que o Irã "não deve temer nem a guerra nem a negociação". Na avaliação dele, negociar "não equivale à capitulação", mas faz parte da estratégia de resistência e de defesa dos interesses nacionais. "Separar e escolher um desses dois métodos como a única solução é um erro estratégico", concluiu.
- Os Estados Unidos e o Irã trocam ataques militares há vários dias em meio a uma escalada que incluiu bombardeios americanos contra o território iraniano e represálias de Teerã contra bases de Washington na região. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) também anunciou a retomada do bloqueio naval contra portos iranianos.
- Teerã afirma que responde ao que classifica como violações do memorando de entendimento por parte dos Estados Unidos. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica advertiu que "nem uma única gota de petróleo ou gás" será exportada da região enquanto continuarem as agressões americanas. Já o Exército iraniano afirma ter executado várias fases de operações de represália contra instalações de Washington.

