
Cuba revela o que está por trás da cúpula contra a esquerda organizada nos EUA

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, comentou nesta quarta-feira (15) sobre a reunião convocada para quinta-feira (16) pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. O evento tem como eixo central o combate à esquerda mundial.
Em uma publicação em sua conta no X, o chanceler cubano afirmou que o encontro tem como objetivo restabelecer na região "a perseguição e a repressão política contra aqueles que denunciam, discordam e lutam contra as medidas neoliberais, imperialistas, fascistas e de extrema direita promovidas pelo governo dos Estados Unidos".

"Não importam os meios para alcançar esse objetivo, nem as vítimas, nem o duplo padrão. Basta uma nova mentira, de quem detém o recorde de criá-las, e uma boa máquina de propaganda, que eles já controlam", acrescentou.
Encontro polêmico
Rubio convocou uma reunião denominada Reunião Ministerial sobre o Ressurgimento do Terrorismo Político, informou a ABC News. O fórum, para o qual foram convidados cerca de 70 países, tem como principal objetivo estabelecer uma "ação coordenada" para combater a suposta ameaça do "ressurgimento do terrorismo transnacional de extrema esquerda".
A reunião, que ocorrerá em Washington, gerou rejeição em alguns setores, que consideram que o suposto "terrorismo de extrema esquerda" — que o secretário de Estado afirma combater — não representa uma ameaça à segurança nacional nem mundial.
Na mesma linha, um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), um think tank sediado em Washington, afirma que, embora os EUA "tenham registrado, nos últimos anos, um aumento no número de atentados e complôs terroristas de esquerda", esse tipo de ação "permanece muito abaixo dos níveis históricos de violência perpetrados por extremistas de direita e jihadistas".
Outras vozes críticas apontam que esse tipo de categorização e perseguição da esquerda, sem fundamentos, pode abrir caminho para futuras ações armadas contra grupos classificados unilateralmente pela Casa Branca como "terroristas", como no caso da Venezuela, um rótulo que, segundo essas críticas, serviu de pretexto para a agressão e o sequestro do presidente Nicolás Maduro.

