O rompimento do memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã pode levar mais republicanos a defender limites aos poderes militares do presidente Donald Trump, informou o jornal The Hill na terça-feira (9).
Segundo a publicação, o pedido do Pentágono para um pacote emergencial de US$ 67,1 bilhões em gastos militares enfrenta resistência no Senado. Parlamentares republicanos avaliam que reunir até mesmo 50 votos para aprovar o financiamento será uma tarefa difícil.
"Acho que o pacote suplementar de emergência está com grandes problemas", disse um senador republicano ao jornal.
Além da oposição dos democratas, parte dos republicanos também pode deixar de apoiar o governo. Segundo o The Hill, parlamentares avaliam limitar os poderes de Trump como comandante em chefe, enquanto democratas discutem medidas para obrigar a retirada das forças americanas do conflito.
Pressão no Senado
De acordo com uma fonte ouvida pelo jornal, será difícil convencer os democratas da necessidade de aprovar dezenas de bilhões de dólares para uma guerra que não foi autorizada pelo Congresso.
O The Hill afirma que a posição de alguns republicanos pode mudar, já que eles também defendem o fim do conflito, apesar de terem votado anteriormente contra resoluções para encerrá-lo.
Apesar de Estados Unidos e Irã terem assinado um memorando de entendimento em junho, o cessar-fogo foi rompido. Na terça-feira (7), as Forças Armadas dos EUA realizaram uma série de bombardeios contra o Irã para "impor" à República Islâmica "altos custos" por supostos ataques a navios mercantes no Estreito de Ormuz.
"O Irã, além de advertir seriamente sobre as consequências do descumprimento do acordo por parte dos Estados Unidos, tomará medidas decisivas para salvaguardar seus interesses e sua segurança nacional", declarou o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi.
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Escalada militar
O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica informou na quarta-feira (8) que realizou uma operação conjunta com mísseis e drones contra 85 alvos militares dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Segundo a corporação, os ataques atingiram instalações usadas pelas forças americanas no Bahrein e no Kuwait, além de derrubarem um drone MQ-9.
Também na quarta-feira (8), o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou que suas forças realizam "ataques adicionais" contra o Irã. Em seguida, foram registradas explosões em diferentes países do Oriente Médio após o lançamento de mísseis iranianos.
"Os Estados Unidos ainda não aprenderam que a intimidação e o descumprimento de seus compromissos não ficam mais impunes. Permitam-me ser claro: se atacarem, receberão uma resposta", escreveu o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, em sua conta no X.