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Irã lança advertência a países da região após novo confronto armado com EUA

O Ministério das Relações Exteriores do Irã enfatizou que qualquer colaboração na prática de um ato de agressão contra o país equivale a cumplicidade e participação na agressão americana.
Irã lança advertência a países da região após novo confronto armado com EUAGettyimages.ru / Morteza Nikoubazl

O Ministério das Relações Exteriores do Irã emitiu um alerta aos países do Golfo Pérsico na quarta-feira (8), após a mais recente escalada das hostilidades com os Estados Unidos.

"Os repetidos ataques ilegais contra o Irã, juntamente com a decisão do Departamento do Tesouro dos EUA de revogar a autorização para a venda de petróleo iraniano — autorização à qual o governo dos EUA se comprometeu nos termos do Artigo 10 do Memorando de Entendimento —, a violação dos acordos iranianos no Estreito de Ormuz e a continuidade da agressão militar e dos ataques do regime israelense contra o Líbano, invalidaram aspectos importantes e fundamentais do Memorando de Entendimento para o fim da guerra. A responsabilidade pelas perigosas consequências dessa escalada de tensões recai sobre o regime americano, que não cumpre o acordo", dizia o comunicado.

"Os repetidos ataques ilegais contra o Irã, juntamente com a decisão do Departamento do Tesouro dos EUA de revogar a autorização para a venda de petróleo iraniano — autorização essa que o governo americano se comprometeu a cumprir —, invalidaram aspectos importantes e fundamentais do Memorando de Entendimento para o fim da guerra. A responsabilidade pelas perigosas consequências dessa escalada de tensões recai sobre o regime americano, que não cumpre o acordo", dizia o comunicado. O Ministério das Relações Exteriores reitera firmemente a obrigação jurídica internacional de todos os governos, especialmente os dos países vizinhos localizados na costa sul do Golfo Pérsico, de impedir que as partes agressoras usem seu território e instalações para realizar atos de agressão contra a República Islâmica do Irã, e enfatiza que qualquer colaboração na prática de um ato de agressão contra o Irã equivale a cumplicidade e participação no crime.

Além disso, condenou veementemente os atos de agressão e as repetidas violações de tratados por Washington, ao mesmo tempo que lembrou as responsabilidades do Conselho de Segurança da ONU e de seu Secretário-Geral em relação à paz e segurança regional e internacional.

Nesse contexto, enfatizou que as forças iranianas não hesitarão em defender a integridade territorial, a soberania nacional e a segurança do país contra a agressão militar dos EUA, em conformidade com o Artigo 51 da Carta da ONU, e também atacarão os perpetradores da agressão.

Nova escalada

As Forças Armadas dos EUA realizaram uma série de ataques aéreos contra o Irã na terça-feira (7) com o objetivo de impor "altos custos" à República Islâmica por supostamente atacar navios mercantes que transitavam pelo Estreito de Ormuz.

"As forças do Comando Central dos EUA (Centcom) iniciaram uma série de ataques poderosos contra o Irã para impor altos custos por atacar e alvejar navios mercantes tripulados por civis inocentes em uma via navegável internacional", afirmou a agência em suas redes sociais.

Entretanto, a mídia iraniana noticiou explosões nas cidades portuárias de Sirik e Bandar Abbas, bem como nas ilhas de Qeshm e Kharg, onde se encontram importantes infraestruturas petrolíferas iranianas e de onde provêm 90% das exportações totais de petróleo bruto do país.

Por sua vez, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabad, afirmou que Teerã tomará medidas "decisivas" para salvaguardar sua segurança. "Ao mesmo tempo em que emite um sério alerta sobre as consequências do descumprimento do acordo por parte dos Estados Unidos, o Irã tomará medidas decisivas para salvaguardar seus interesses e segurança nacionais", afirmou.

A ofensiva provocou uma resposta rápida de Teerã. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou na quarta-feira (8) ter realizado uma operação conjunta com mísseis e drones contra 85 alvos militares dos EUA no Oriente Médio. Segundo a IRGC, os ataques atingiram instalações usadas pelas forças americanas no Bahrein e no Kuwait, e um drone MQ-9 foi abatido.