
'Dizer negro de merda era comum': senadora paraguaia atribui racismo contra Mbappé ao ambiente em que cresceu

A senadora paraguaia Celeste Amarilla voltou a comentar a repercussão internacional causada pelos ataques contra o atacante francês Kylian Mbappé.

Em entrevista coletiva, reproduzida pelo canal paraguaio Ñanduti na terça-feira (7) a parlamentar admitiu que as declarações publicadas nas redes sociais eram racistas e discriminatórias, afirmou que apagou as mensagens por reconhecer o erro, mas voltou a dizer que não pretende pedir desculpas ao jogador.
Questionada se atenderia ao pedido de retratação feito por Mbappé, Amarilla respondeu que não vê motivo para isso.
"Mbappé não me pediu desculpas e eu também não tenho por que pedir desculpas a ele."
Na sequência, jornalistas citaram os comentários publicados pela senadora após a eliminação do Paraguai para a França nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026.
Entre eles, Amarilla afirmou que o atacante "em vez de leite materno mamava cocos" e que "a coisa mais instruída que ouviu foram chimpanzés".
Ao ser perguntada se reconhecia que aquelas declarações eram discriminatórias ou racistas, a parlamentar respondeu afirmativamente.
"Sim, são. Eu me retratei e por isso apaguei a publicação."
Em seguida, Amarilla classificou as mensagens como "um deslize" e tentou justificar as declarações afirmando que elas refletem o ambiente em que foi criada.
"É algo aprendido por uma pessoa de quase 62 anos que viveu numa sociedade em que se batia em gays, em que dizer 'negro de merda' era a coisa mais comum e em que mulheres divorciadas eram estigmatizadas."
A senadora também afirmou que está revendo comportamentos e preconceitos que aprendeu ao longo da vida.
O que aconteceu?
O escândalo — que provocou a reação do governo francês e a condenação da administração de Santiago Peña — começou no último sábado (4), quando Amarilla publicou comentários ofensivos contra Mbappé nas redes sociais.
"Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamava cocos, e o mais instruído que ouviu foram chimpanzés", escreveu.
As declarações foram feitas no mesmo dia em que a França eliminou o Paraguai da Copa do Mundo, com um gol de pênalti de Mbappé nas oitavas de final.
Após a derrota da equipe sul-americana, a senadora escreveu: "Camaronês colonizado, fingindo com força ser francês, ressentido, novo-rico, arrogante e feio (...). A única coisa que muitos de nós cobramos da Albirroja é que não tenha dado um tapa com a mão aberta nele depois que o jogo terminou".
O próprio Mbappé respondeu diretamente à senadora. "A senhora é uma mulher desprezível e indigna do cargo que ocupa. A senhora não representa o Paraguai, um país que demonstrou paixão e honra ao longo de toda a competição", afirmou.
Por sua vez, a ministra dos Esportes, Juventude e Vida Comunitária da França, Marina Ferrari, declarou na segunda-feira (6) estar "absolutamente escandalizada" com as declarações.
Já a Federação Francesa de Futebol (FFF) anunciou que apresentará uma denúncia ao Ministério Público para que sejam adotadas medidas legais em razão das declarações "racistas" de Amarilla.
Ao mesmo tempo, o presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou apoio a Mbappé e afirmou: "Quando as palavras maculam, nossos valores respondem: dignidade, respeito e fraternidade".

