Pela primeira vez desde 1982, a China realizou na segunda-feira (6) um teste de míssil lançado de submarino, um exercício projetado para testar um elemento fundamental de sua tríade nuclear.
Analistas, no entanto, consideram o teste um sinal aos EUA e seus aliados na região, informou o South China Morning Post.
"Este teste de míssil parece ter tido como objetivo principal o envio de sinais estratégicos, em vez de experimentar técnicas ou desenvolver operações", disse Zhao Tong, pesquisador sênior da Carnegie Endowment for International Peace, com sede em Washington, explicando que a China já possuía essa capacidade há algum tempo, mas só agora exibiu publicamente.
Ele observou que também é simbólico que o teste tenha sido realizado em meio à deterioração das relações entre a China e o Japão.
Ao mesmo tempo, o teste demonstra que a China está entrando em uma nova fase de expansão de sua frota de submarinos com mísseis balísticos e fortalecendo sua capacidade de ataque nuclear lançado por submarinos, afirmou Zhao.
Uma visão semelhante foi expressa por Yue Gang, ex-coronel do exército chinês, que observou que a ação se encaixa no atual contexto geopolítico e envia uma mensagem estratégica tanto para Washington quanto para Tóquio.
"Se o lançamento tivesse ocorrido no Mar de Bohai [um golfo no nordeste da China], os destroços do míssil teriam caído perto do Japão, constituindo um sinal calculado com a intenção de desestabilizar e alertar Tóquio", disse ele.
O Teste
A Marinha chinesa anunciou na segunda-feira (6) que lançou com sucesso um míssil estratégico de um submarino de propulsão nuclear em uma área de alto mar no Oceano Pacífico. De acordo com autoridades militares, o míssil carregava uma ogiva simulada e atingiu com precisão a área de teste designada.
A China afirmou que se tratava de um exercício militar de rotina não direcionado contra nenhum país e pediu à comunidade internacional que não reagisse de forma exagerada ou interpretasse o lançamento como uma ameaça.
Pequim enfatizou que o teste fazia parte do programa regular de treinamento de suas Forças Armadas e que as autoridades notificaram os países relevantes com antecedência, em conformidade com as práticas internacionais.
Reações
Após o teste, o Departamento de Estado dos EUA instou a China a participar de discussões sobre controle de armas e a se comprometer a estabelecer um mecanismo de notificação para todos os lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais e mísseis espaciais.
"Os Estados Unidos monitoraram o teste de lançamento de um míssil balístico intercontinental desarmado realizado pela China a partir de um submarino, que caiu no Oceano Pacífico Sul", afirmou a agência, denunciando o "rápido e opaco programa de desenvolvimento de armas nucleares" de Pequim.
Enquanto isso, o Ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, reuniu-se na terça-feira (7) com o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com o Ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Cho Hyun, a quem expressou sua preocupação com o lançamento do míssil chinês, sob a perspectiva da segurança do Japão e da região.
Por sua vez, o Ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, classificou o teste como "profundamente preocupante". "Hoje, a China nos informou sobre seus planos de lançar um míssil balístico de longo alcance no Pacífico Sul. Parece que, apesar de nossas preocupações de longa data com esse tipo de atividade, a China realizou o teste poucas horas depois de nos informar", afirmou. Ele acrescentou: "O Pacífico é um oceano de paz e estamos profundamente preocupados com os testes de armas nucleares realizados pela China no Pacífico Sul."