'Sol Artificial' da China produzirá eletricidade até 2030

Diferentemente da fissão nuclear, que divide átomos pesados, a fusão imita o mecanismo do Sol, unindo núcleos leves para liberar enorme quantidade de energia.

Em 27 de junho, dois supercondutores desenvolvidos exclusivamente pela China para um reator de fusão nuclear foram aprovados nos testes de aceitação técnica e de desempenho em condições plenas, informou a mídia chinesa no domingo (5).

Os componentes fazem parte do chamado "sol artificial" chinês, dispositivo que deve ficar pronto até o fim de 2027 e que, segundo o país, será capaz de gerar a primeira eletricidade por meio da fusão nuclear por volta de 2030.

Diferentemente da fissão nuclear, que divide átomos pesados, a fusão reproduz o processo que ocorre no Sol, unindo núcleos leves para liberar uma enorme quantidade de energia. Para isso, é necessário aquecer o combustível a temperaturas superiores a 100 milhões de graus Celsius. Como nenhum material é capaz de suportar esse calor extremo por muito tempo, os cientistas utilizam campos magnéticos de alta intensidade para "levitar" o plasma e impedir que ele entre em contato com as paredes do reator.

O principal combustível é o deutério, um isótopo do hidrogênio extraído da água do mar. Um litro de água do mar, quando utilizado na fusão nuclear, pode gerar energia equivalente à de cerca de 300 litros de gasolina. O processo produz pouquíssimos resíduos radioativos de alto nível e não emite carbono durante a geração de energia. Estima-se que os oceanos contenham cerca de 45 trilhões de toneladas de deutério, quantidade suficiente para abastecer a humanidade por bilhões de anos.

Os ímãs testados são totalmente desenvolvidos e fabricados na China, desde a matéria-prima até a produção final. O custo do material supercondutor caiu de 400 para 100 yuans por metro. Além disso, as novas bobinas superam os modelos anteriores em tamanho, desempenho e capacidade de armazenamento de energia. Cada unidade pesa cerca de 580 toneladas, ante 350 toneladas da geração anterior.

Isso significa que o futuro "sol artificial" chinês terá potencial para gerar ainda mais energia, consolidando o país na vanguarda da busca por uma fonte limpa e praticamente inesgotável.