O presidente eleito da Colômbia, Abelardo De la Espriella, acusou nesta terça-feira (7) o presidente Gustavo Petro e o candidato governista, Iván Cepeda, de planejarem um golpe de Estado contra o governo que ele assumirá dentro de exatamente um mês.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, o político conservador afirmou que Petro e Cepeda colocaram em prática um suposto "plano B" com o objetivo de "permanecer no poder a qualquer custo, por meio de um golpe de Estado".
"Nas últimas horas, o plano se intensificou", afirmou o vencedor do segundo turno das eleições, realizado em 21 de junho. Na avaliação de De la Espriella, Petro teria assumido "competências da autoridade eleitoral" e "desconhecido" a eleição do candidato do partido Defensores da Pátria.
"Não passa de um disfarce"
De la Espriella também afirmou que Cepeda convocou a desobediência civil "para não reconhecer os votos que, em democracia e liberdade, o povo colombiano depositou nas urnas para me tornar presidente de todos". A diferença entre os dois candidatos foi de 0,96 ponto percentual.
"Não existe resistência pacífica quando se trata de justificar um golpe de Estado. Isso não passa de um disfarce usado por Petro e Cepeda para se perpetuarem no poder", acrescentou.
Diante dessas denúncias, o presidente eleito pediu às Forças Armadas da Colômbia que protejam a Constituição e a democracia. Ele também solicitou aos militares que "não obedeçam a nenhuma ordem de Petro em sentido contrário".
Além disso, Espriella apelou à comunidade internacional para que permaneça "vigilante" e "atenta" até que "a tentativa de golpe de Estado tenha cessado".
Na mesma linha, reafirmou sua decisão de suspender o processo de transição com o governo que deixa o poder. A medida foi rejeitada por Petro, que afirmou que continuará seguindo o processo previsto na legislação colombiana.
Dúvidas sobre o resultado e "desobediência civil"
As declarações do político conservador foram uma resposta às afirmações de Petro, que desde as eleições denuncia supostas irregularidades e um suposto "hackeamento" do sistema eleitoral, a partir do exterior, para favorecer a vitória de De la Espriella. O presidente afirmou que apresentará provas à Justiça.
Em uma série de publicações recentes no X, o chefe de Estado também declarou que o candidato do Pacto Histórico foi o verdadeiro vencedor das últimas eleições pelo voto popular. "A vitória de Abelardo foi produzida por algoritmos a partir da Califórnia, e esses algoritmos foram desenvolvidos por empresas privadas israelenses de inteligência", afirmou.
No último sábado (4), Cepeda, que já havia reconhecido sua derrota para De la Espriella no segundo turno, declarou durante um ato público que não reconhecia seu antigo adversário como presidente da República.
Além disso, reiterou seu chamado para manter a "desobediência civil pacífica" caso o presidente eleito mantenha suas "graves ameaças", entre elas a suposta intenção de entregar a soberania do país aos Estados Unidos e a Donald Trump, desmontar as reformas sociais, violar a Constituição e perseguir violentamente a oposição.