EUA chamam de 'absurdo' temor do Itamaraty sobre uso da força contra o Brasil — Metrópoles

Departamento de Estado afirmou que classificação do PCC e do Comando Vermelho busca combater facções que atuam em território norte-americano.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou como "absurdo" o temor manifestado pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, de que Washington possa usar força militar em território brasileiro. O posicionamento ocorre após o governo Trump classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A informação foi publicada pelo portal Metrópoles nesta terça-feira (7).

A diplomacia norte-americana afirmou que a medida faz parte da política de combate a grupos criminosos que passaram a atuar nos EUA. "Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, no âmbito de suas próprias competências soberanas, para combater os narcoterroristas. Essas gangues brasileiras agora atuam nos Estados Unidos, e vamos defender nosso povo contra elas", declarou.

Washington também negou que a classificação tenha como objetivo justificar uma intervenção no Brasil. Segundo o Departamento de Estado, "alegações vagas" sobre o uso da força podem servir para "ajudar e incentivar alguns dos grupos mais violentos do mundo".

Documento do Itamaraty

A resposta foi motivada por um documento enviado pelo Ministério das Relações Exteriores à Câmara dos Deputados. No texto, Mauro Vieira afirmou que a classificação unilateral do PCC e do Comando Vermelho pode abrir margem para medidas extraterritoriais contra instituições brasileiras, inclusive com "risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional".

O chanceler também avaliou que a medida pode servir de base para ações administrativas e judiciais contra pessoas físicas, empresas e organizações brasileiras, mesmo sem vínculos diretos com os Estados Unidos.

O documento afirma ainda que o governo brasileiro não recebeu comunicação oficial de Washington sobre a classificação das facções. Segundo o Itamaraty, trata-se de uma decisão unilateral dos Estados Unidos, embora o Brasil mantenha posição contrária à medida.

Primeiras sanções

O governo do presidente Donald Trump anunciou as primeiras sanções relacionadas à classificação das facções. As medidas atingem dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma empresa em Portugal, apontados como integrantes de uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

Segundo o governo norte-americano, a estrutura movimentou mais de US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 155 milhões), provenientes do tráfico internacional de drogas e de outras atividades ilícitas.

Também passaram a ser proibidas transações entre cidadãos, empresas e instituições financeiras dos Estados Unidos e os alvos das sanções. Além disso, bens e ativos sujeitos à jurisdição norte-americana foram bloqueados.