Uma investigação da Justiça dos Estados Unidos revelou que brasileiros identificados pelos codinomes "Gabigol" e "Lara Croft" aparecem em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. Ao anunciar sanções na quarta-feira (1º), o Departamento do Tesouro afirmou que os principais investigados atuavam como elo entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Flórida e traficantes estrangeiros, informou O Globo.
Conhecidos como "Japa" e "Lara Croft", em referência à personagem da franquia de jogos e filmes Tomb Raider, Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stafanie Nunes Henrique de Oliveira foram denunciados na Flórida em dezembro de 2025. Segundo a acusação, eles facilitaram a movimentação e a lavagem de recursos do tráfico de drogas.
Codinomes na investigação
A denúncia também cita os brasileiros Gabriel Cezar Menezes, identificado como "Gabigol", apelido que faz referência a Gabriel Barbosa, atacante do Santos, e Ygor Fokin Saviolli, chamado de "Boa Sorte". Os dois aparecem como integrantes da rede que movimentava os valores nos Estados Unidos.
Saviolli, Menezes e outros quatro acusados já se declararam culpados à Justiça americana. As sentenças devem ser anunciadas nos próximos meses.
Segundo as autoridades, o grupo ocultou mais de US$ 30 milhões, cerca de R$ 155 milhões. O esquema utilizava bancos, criptomoedas e conversas por WhatsApp para movimentar os recursos.
O FBI realizou uma operação contra o grupo em janeiro deste ano e prendeu seis pessoas, entre elas Saviolli e Menezes. Todos os acusados citados estavam em situação migratória irregular e podem ser condenados a até 20 anos de prisão.
A associação entre os investigados e o PCC surgiu na nota que anunciou as sanções econômicas. A denúncia criminal apresentada em dezembro não mencionava facções brasileiras, enquanto o Departamento do Tesouro classificou Shimada e Stella como elo entre integrantes da organização criminosa na Flórida e traficantes estrangeiros.
Organizações terroristas
Desde 5 de junho, o PCC e o Comando Vermelho passaram a ser oficialmente classificados pelos Estados Unidos como Organizações Terroristas Estrangeiras. A medida ampliou o alcance de sanções financeiras, bloqueio de ativos e mecanismos de contraterrorismo contra pessoas e empresas ligadas aos grupos.
A classificação não altera a legislação brasileira. No Brasil, as duas facções continuam enquadradas como organizações criminosas.