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Petro denuncia uso de 'algoritmos viciados' para alterar eleição na Colômbia

Segundo o presidente, entre as irregularidades identificadas estão o voto múltiplo e a usurpação de identidade.
Petro denuncia uso de 'algoritmos viciados' para alterar eleição na ColômbiaGettyimages.ru / Andres Rot

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta segunda-feira (6) que possui provas de irregularidades na apuração da eleição presidencial de 21 de junho, vencida por Abelardo de la Espriella. Segundo o mandatário, algoritmos teriam alterado substancialmente o resultado da votação em favor do presidente eleito.

"Nós temos toda a informação sobre como, a partir de um servidor IP localizado em Los Angeles, de propriedade dos irmãos Bautista, donos da Thomas Greg & Sons, responsável pela pré-contagem e pela logística da apuração definitiva, foram utilizados algoritmos que alteraram substancialmente a votação em favor de Abelardo de la Espriella", escreveu Petro na rede social X.

Segundo o presidente, os algoritmos utilizavam o cadastro de eleitores que nunca votam para substituí-los por pessoas que poderiam votar várias vezes ou por registros sem eleitores nas mesas com jurados homogêneos.

Irregularidades

Petro afirmou que, nas seções eleitorais instaladas no exterior, onde De la Espriella obteve vantagem de 177 mil votos sobre Iván Cepeda, foram identificados jurados residentes na Colômbia, e não nos Estados Unidos e na Espanha, o que classificou como ilegal. Ele também alegou que pessoas levadas à Copa do Mundo conseguiram votar até sete vezes utilizando a identidade de eleitores ausentes.

O presidente disse que o mesmo esquema teria sido repetido em regiões dos departamentos de Antioquia e Norte de Santander, além de áreas de Medellín e Bogotá onde predominam eleitores conservadores. "Por isso, meu filho descobriu que alguém já havia votado em seu nome", afirmou, sem especificar qual de seus filhos teria sido vítima da suposta usurpação de identidade.

Acusações de ingerência

Petro voltou a denunciar interferência estrangeira no processo eleitoral. Segundo ele, a empresa israelense de inteligência privada BlackCube forneceu "algoritmos viciados e outros apoios" à Thomas Greg & Sons.

O presidente também acusou a empresa de lobby Balart de receber milhões de dólares para melhorar a imagem de De la Espriella e convencer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a apoiá-lo, apesar das supostas ligações do presidente eleito com o paramilitarismo e o narcotráfico.

"Na minha conversa telefônica com Trump, pude constatar que ele não sabia que eu não apoiava De la Espriella por suas antigas relações com o narcotráfico e o genocídio na Colômbia. Espero que, em meio às suas preocupações, tenha tempo para consultar seus serviços de inteligência e descobrir quem é Abelardo de la Espriella, por que é cidadão norte-americano e quem são seus sócios, incluindo o conhecido como 'Boliche'", declarou.

"Boliche" é o apelido de Jorge Luis Hernández Villazón, ex-narcotraficante e ex-paramilitar colombiano que atuou como informante da DEA e do FBI por cerca de 25 anos e foi implicado em casos de extorsão e lavagem de dinheiro nos Estados Unidos, informou o El Espectador. Na semana passada, Iván Cepeda afirmou que Hernández Villazón mantém um "estreito vínculo" com De la Espriella, que antes de ingressar na política atuou como advogado de pessoas ligadas ao paramilitarismo.

"Fraude eleitoral"

Petro afirmou estar "diante das evidências de uma fraude eleitoral por meio de algoritmos e com financiamento estrangeiro, proibido pela Constituição". Segundo ele, trata-se do "mais duro golpe contra a soberania nacional desde a reconquista espanhola nos anos da 'Patria Boba'".

O presidente também afirmou que os sistemas de cibersegurança da Registradoria Nacional, que deveriam detectar a entrada de algoritmos e a manipulação dos formulários eleitorais E14 a partir do exterior, pertencem a empresas privadas norte-americanas e israelenses.

Petro acusou ainda a Registradoria de entregar, "por incompetência ou corrupção", a segurança do voto colombiano a empresas sujeitas à legislação de governos estrangeiros. "Eles já tinham um candidato na Colômbia. Por isso, não houve alarme", afirmou.

No sábado (4), Iván Cepeda, que havia reconhecido a derrota para De la Espriella no segundo turno, declarou que não reconhece o adversário como presidente da República. O político também reiterou o apelo para manter a "desobediência civil pacífica" caso o presidente eleito cumpra as supostas ameaças de entregar a soberania colombiana aos Estados Unidos e a Donald Trump, desmontar as reformas sociais, violar a Constituição e perseguir violentamente a oposição.