O governo brasileiro decidiu acompanhar como observador as audiências que começam nesta segunda-feira (6) em Washington sobre o tarifaço proposto pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos do Brasil vendidos no mercado norte-americano.
Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores enviadas ao portal g1, a embaixada brasileira nos Estados Unidos enviará representantes às sessões, mas o governo não se inscreveu para discursar.
A avaliação de Brasília é que o espaço das audiências não é o adequado para negociação, que segue concentrada em conversas técnicas e entre autoridades dos dois países.
O processo faz parte de uma investigação comercial da Seção 301 sobre atos, políticas e práticas do Brasil relacionados a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
As audiências ocorrem na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Washington. A programação prevê sessões na segunda-feira (6) e na terça-feira (7), ambas com início às 10h, horário local, reunindo representantes de entidades e empresas do Brasil e dos Estados Unidos.
« QUAIS SÃO AS GUERRAS COMERCIAIS DA ERA TRUMP E SEUS OBJETIVOS? SAIBA MAIS EM NOSSO ARTIGO »
Setores brasileiros vão às audiências
No primeiro dia, a lista inclui representantes ligados a arroz, agropecuária, café, mel, vestuário, alimentos, açúcar, propriedade intelectual, etanol, madeira e organizações dos Estados Unidos.
Entre os nomes previstos estão Andressa Silva, da Associação Brasileira da Indústria do Arroz, Marcos Matos, do Cecafé, Rodrigo A. de Ouro Preto Santos, da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual, e Welber Barral, da Unica. Paulo Figueiredo também está previsto na programação do primeiro dia.
Já na terça-feira (7), o senador Flávio Bolsonaro aparece como o primeiro inscrito do painel 8, que também inclui Roberto Azevêdo pela Confederação Nacional da Indústria, Letícia Sperb Masselli pela Abicalçados e representantes de entidades dos Estados Unidos ligadas ao varejo e ao setor de calçados.
O segundo dia reúne ainda nomes vinculados a indústria, siderurgia, cerâmica, mineração, máquinas, alumínio, madeira, papel e rochas naturais. A programação inclui representantes da Fiesp, CSN, Anfacer, Sindifer, Abimaq, Ibá, Klabin, WEG, Centrorochas e Abimci, além de entidades e empresas norte-americanas.
Enquanto acompanha as audiências, o governo brasileiro tenta avançar nas negociações antes do prazo de 15 de julho para a conclusão de um acordo.
Brasília já apresentou uma proposta sobre os seis pontos levantados pelos Estados Unidos, mas ainda não recebeu resposta formal.
Reservadamente, integrantes do governo dizem não acreditar na reversão integral do tarifaço e avaliam que a medida pode ser reduzida ou ter exceções, informou o g1.
Esses interlocutores afirmam, ainda, que os documentos do início da investigação, de julho de 2025, e da recomendação pelas tarifas, de junho de 2026, são "praticamente iguais".