O Ministério da Defesa da Rússia realiza uma coletiva de imprensa neste sábado (4) para discutir uma série de importantes avanços do Exército Russo, incluindo a libertação de Konstantinovka, uma das cidades mais importantes para o regime de Kiev.
Durante o evento, o primeiro vice-diretor do Estado-Maior das Forças Armadas Russas, Sergey Rudskoy, destacou que a cidade de Konstantinovka libertada é a chave para alcançar o último bastião de Kiev no Donbass; isto é, a conurbação de Kramatorsk-Slaviansk.
Segundo ele, Konstantinovka é o sétimo maior centro administrativo da região do Donbass, tanto em área quanto em população.
"No início de 2022, tinha uma população de mais de 78 mil habitantes. A cidade era considerada a capital da indústria vidreira e um dos maiores centros de metalurgia do leste da Ucrânia, além de um importante entroncamento ferroviário", enfatizou Rudskoy.
Além disso, também se tratava da zona defensiva mais fortificada e estratificada das Forças Armadas da Ucrânia. Kiev reforçou suas defesas a partir de 2014, intensificando-as após a queda de Artemovsk (conhecida como Bakhmut na Ucrânia).
O núcleo do sistema de defesa da cidade consistia em núcleos fortificados independentes, projetados para uma defesa sustentada e abrangente. Duas linhas defensivas eram formadas por mais de 150 km de trincheiras e fossos antitanque.
Para defender a cidade e seus arredores, Kiev reuniu uma força de sete brigadas, totalizando 45 batalhões e mais de 15 mil soldados. Entre eles, formações nacionalistas motivadas e leais ao regime de Kiev.
Confronto prolongado
As forças russas, apesar dessas circunstâncias,conseguiram libertar a cidade após meses de intensos combates. A densidade populacional da cidade e a presença de civis levaram as tropas russas a proceder com cautela.
Soldados ucranianos se misturavam aos moradores e vestiam roupas civis, tentando escapar. O comando ucraniano não emitia ordens de retirada, apesar do avanço evidente das tropas russas, forçando seus soldados a permanecerem em suas posições até o fim, sem comida ou água.
Agora, o agrupamento de tropas Yug [Sul, em russo] está concluindo a limpeza dos bairros, removendo tanto pequenos grupos quanto combatentes ucranianos isolados.
As Forças Armadas da Ucrânia perderam aproximadamente 13.500 soldados, 14 tanques, oito lançadores múltiplos de foguetes e 200 peças de artilharia nas batalhas pela cidade. A área total do território libertado ultrapassa 66 quilômetros quadrados.
Chave estratégica
Analistas consideram a libertação desta cidade como o colapso da frente oriental ucraniana, pois representa uma brecha no chamado "Cinturão da Fortaleza", uma barreira fortificada que o regime de Kiev vinha construindo há mais de uma década e que também inclui as cidades de Druzhkovka, Kramatorsk e Sloviansk.
Seu valor estratégico residia em diversos fatores:
- Corredor logístico: Konstantinovka foi integrada a um eixo de cidades conectadas pela rodovia H-20, o que permitiu às forças ucranianas manter logística e coordenação contínuas.
- Vantagens do terreno: A cidade possui obstáculos naturais, pequenas elevações que facilitavam a observação e o uso de drones, além de uma rede de fortificações construída ao longo de 11 anos.
- Centro ferroviário: Konstantinovka funcionava como um importante centro de abastecimento para as forças ucranianas, utilizado por vários setores da frente, incluindo as regiões de Chasov Yar, Dzerzhinsk (Toretsk, na Ucrânia) e Krasnoarmeisk (Pokrovsk), já libertadas pelas forças russas no ano passado.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, celebrou a conquista na sexta-feira (3). "Um marco fundamental para continuarmos avançando. Só avante e com Deus!", comentou.
O presidente Vladimir Putin anunciou que, desde o início deste ano, as Forças Armadas da Rússia libertaram 133 assentamentos e assumiram o controle de mais de 3 mil quilômetros quadrados na zona de operações militares especiais.
"A libertação da República Popular de Lugansk foi concluída recentemente, e a destruição das formações das Forças Armadas da Ucrânia continua na República Popular de Donetsk, bem como nas províncias de Zaporozhie e Kherson", afirmou.
"A criação de uma zona de segurança nas áreas fronteiriças das províncias ucranianas de Kharkov, Sumy e Dnepropetrovsk está progredindo conforme o planejado", acrescentou.