Defesa antiaérea russa incorpora IA e drones interceptores contra Kiev

Modernização inclui sistemas Pantsir e Citadel com minimísseis e munição programável.

Diante do aumento das ameaças por parte do regime de Kiev, em um contexto marcado pela difícil situação de suas Forças Armadas na linha de frente, a Ucrânia recorre com cada vez mais frequência a ataques contra a retaguarda russa e alvos civis.

Nesse contexto, as autoridades russas intensificaram a modernização de seu sistema de defesa antiaérea, incorporando ativamente inteligência artificial (IA) e outras tecnologias avançadas.

Incorporação de novas tecnologias em tempo real

Durante um encontro realizado na segunda-feira (29) com correspondentes de conflitos, o ministro da Defesa da Rússia, Andrey Belousov, comentou o ritmo dos avanços tecnológicos e táticos na proteção do país e no combate a drones, afirmando que, em média, "a situação muda a cada dois ou três meses".

O ministro explicou que as Forças Armadas trabalham ativamente na incorporação de recursos de IA, atualmente utilizados principalmente em duas áreas.

"A primeira é tudo o que está relacionado ao reconhecimento de imagens e à aquisição automática de alvos. A segunda é a navegação. As redes neurais precisam ser treinadas", detalhou Belousov.

Além disso, acrescentou que outra linha de aplicação da tecnologia consiste no apoio à tomada de decisões, área na qual o Ministério da Defesa trabalha atualmente. Belousov também compartilhou uma avaliação sobre a eficiência do uso de drones pelas unidades das tropas de sistemas não tripulados, que é "três vezes maior" do que a dos operadores convencionais.

Drones interceptadores FPV

Um dos principais eixos da modernização da defesa antiaérea, destacados pelo ministro, é a criação de unidades especializadas de grupos móveis de fogo, equipadas principalmente com drones interceptadores FPV.

Ao contrário dos sistemas tradicionais de guerra eletrônica, esses drones não bloqueiam o sinal do alvo, mas o destroem por impacto direto ou detonação.

"Recentemente, passaram a ser empregados grupos móveis de fogo, equipados principalmente com interceptadores FPV", detalhou Belousov. Ele também afirmou que "em todos os agrupamentos do Exército russo foi desenvolvido um sistema escalonado de proteção baseado em interceptadores táticos".

Yolka, o pesadelo dos drones inimigos

Um dos sistemas mais recentes incorporados para a proteção do espaço aéreo russo é o drone interceptador automatizado Yolka, descrito pelo Ministério da Defesa da Rússia como "o pesadelo dos drones inimigos".

O Yolka reúne características incomuns em um único sistema: tamanho reduzido, alta velocidade, controle intuitivo, guiagem inteligente e capacidade de atingir os pontos mais vulneráveis do alvo.

Essa combinação constitui sua principal vantagem e permite que os militares russos na zona da operação militar especial o utilizem com sucesso para interceptar drones inimigos. O sistema também é empregado nas regiões de fronteira para proteger instalações civis estratégicas contra ataques ucranianos.

Esse drone não leva carga explosiva e busca atingir o alvo por impacto direto, destruindo-o por energia cinética, o que reduz os riscos para as pessoas e a infraestrutura na área.

Os algoritmos de inteligência artificial integrados ao Yolka reduzem a tarefa do operador a fixar o alvo no ar. A partir desse momento, o drone corrige de forma autônoma sua trajetória, levando em consideração a velocidade, a distância e a posição do alvo.

Pantsir, o guardião do céu russo

Outro sistema utilizado na defesa do espaço aéreo russo é o sistema antiaéreo de curto alcance Pantsir.

Além das versões já conhecidas, como o Pantsir-S1M e a variante naval Pantsir-ME, que, segundo a Rostec, demonstraram sua eficácia em condições de combate, a corporação apresentou neste ano uma nova modificação: o Pantsir-SMD-E.

Em comunicado, a Rostec afirmou que os sistemas Pantsir derrubaram drones, interceptaram projéteis dos lançadores múltiplos de foguetes HIMARS, de fabricação americana, e destruíram alvos que classificou como complexos, entre eles os mísseis balísticos americanos ATACMS e os mísseis de cruzeiro Storm Shadow, fornecidos à Ucrânia pela França e pelo Reino Unido.

A empresa sustenta que, atualmente, não existem no mercado sistemas equivalentes a essa nova versão. Segundo um de seus diretores, o equipamento pode empregar um grande número de minimísseis projetados especificamente para destruir drones.

"No combate a veículos aéreos não tripulados, um único módulo de combate substitui, na prática, toda uma bateria de outros sistemas de mísseis antiaéreos. Um único complexo pode lançar até 48 minimísseis contra o inimigo", afirmou o representante da empresa.

Citadel, a resposta aos enxames de drones

Outro dos desenvolvimentos mais recentes destinados ao combate a drones é o sistema de artilharia antiaérea Citadel, apresentado em maio deste ano para a proteção de instalações fixas.

O complexo utiliza munição programável com detonação controlada. O sistema calcula automaticamente o ponto ideal de explosão ao longo da trajetória do alvo detectado e programa o projétil antes do disparo.

Os sistemas de guiagem podem detectar e acompanhar alvos aéreos a qualquer hora do dia e sob quaisquer condições meteorológicas.

Embora os drones leves fabricados com plástico, madeira e materiais compostos sejam pouco visíveis aos radares, eles não conseguem se ocultar dos sensores térmicos do sistema, capazes de detectar o calor emitido por motores elétricos e baterias mesmo durante a noite, sob neblina densa ou em meio a uma tempestade de neve.

Segundo seus desenvolvedores, a alta velocidade de alternância entre alvos permite repelir ataques massivos com drones. A aquisição e o acompanhamento do alvo, o cálculo da trajetória e a programação da munição são realizados de forma automática. Ao operador cabe apenas decidir quando abrir fogo ou supervisionar o funcionamento do sistema, mantendo a possibilidade de intervir em caso de uma situação imprevista.

Eficiência diante de milhares de drones

O sistema russo de defesa aérea vem sendo colocado à prova por ataques que envolvem milhares de drones, um desafio de enorme complexidade para qualquer rede de defesa antiaérea. Ainda assim, segundo especialistas, o sistema continua demonstrando um alto grau de eficiência.

"Se reunirmos cuidadosamente todas as evidências disponíveis, e elas são muitas, veremos que, em comparação com a quantidade de drones empregados, o número de impactos contra alvos terrestres é, na realidade, reduzido. Isso demonstra a elevada eficiência da defesa antiaérea", afirmou o analista militar Dmitry Kornev.

"É preciso lembrar que organizar uma defesa antiaérea capaz de interceptar 100% dos alvos é extremamente difícil, para não dizer praticamente impossível. No entanto, mesmo uma taxa de interceptação de 90%, ou ligeiramente inferior ou superior, já representa um resultado muito bom, praticamente ideal", concluiu o especialista.