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ByteDance, dona do TikTok, escolhe Ceará para maior complexo de data centers fora da China

Empreendimento prevê operação a partir de 2027 e amplia presença chinesa no Brasil, mas enfrenta fortes protestos de comunidades indígenas locais.
ByteDance, dona do TikTok, escolhe Ceará para maior complexo de data centers fora da ChinaGettyimages.ru / Kayla Bartkowski/ Los Angeles Times

A ByteDance, empresa chinesa proprietária do TikTok, está construindo no Ceará o maior complexo de data centers da companhia fora da China, informou a Bloomberg na quarta-feira (1º).

Desenvolvido pela empresa brasileira Omnia, o projeto tem investimento total estimado em R$ 200 bilhões e prevê a construção de 20 data halls, com capacidade inicial de 200 megawatts, podendo chegar a 1 gigawatt. O primeiro centro de dados deve entrar em operação no fim de 2027.

As obras avançam em uma área localizada em uma zona franca do Ceará criada para reduzir custos com a importação de equipamentos de informática.

Os data centers serão equipados com servidores e infraestrutura de rede voltados à expansão global das operações de inteligência artificial da ByteDance. A empresa brasileira Omnia apresentou o projeto à companhia chinesa em 2025, e a construção começou menos de seis meses depois.

Brasil é ideal para a tecnologia

O Brasil é apontado como um destino estratégico para esse tipo de empreendimento devido à ampla oferta de energia renovável e à posição como importante centro de telecomunicações, conectado por cabos submarinos à América do Norte, Europa e África.

Além da ByteDance, outras empresas planejam ampliar investimentos no segmento. A Ascenty investe 1,2 bilhão de dólares (R$ 6,2 bilhões) em novos empreendimentos na América Latina, enquanto Elea Data Centers e Scala Data Centers também desenvolvem projetos de grande porte voltados a grandes empresas de tecnologia.

Comunidade indígena protesta

Apesar do apoio do governo estadual, o projeto enfrenta resistência da comunidade indígena Anacé. Desde o anúncio oficial do investimento, integrantes da tribo realizam protestos e bloqueios de estradas contra a construção.

Os indígenas afirmam que a área já foi alvo de desapropriações para outros empreendimentos nas últimas décadas e criticam o elevado consumo de energia previsto para o data center, enquanto a comunidade enfrenta apagões frequentes.