Patrice Lumumba é considerado o principal símbolo da luta pela independência da República Democrática do Congo (RDC) e uma das figuras mais importantes do movimento anticolonial africano.
Primeiro primeiro-ministro do país após o fim do domínio da Bélgica, defendia a soberania nacional e o controle congolês sobre as riquezas minerais, tornando-se referência para gerações de africanos.
Nesta segunda-feira (30), quando a RDC celebra 66 anos de independência, o legado de Lumumba ganha um novo significado.
Enquanto o país relembra a ruptura com o colonialismo europeu e o pan-africanismo, a seleção congolesa vive o maior momento de sua história ao disputar a segunda fase da Copa do Mundo 2026. O feito levou milhões de torcedores às ruas e transformou o futebol em mais um símbolo de orgulho nacional.
Mártir da luta anticolonial
No dia 30 de junho de 1960, Lumumba discursou na cerimônia de independência de seu país. Diante das autoridades belgas, denunciou décadas de exploração, violência e discriminação sofridas pela população durante o período colonial.
Menos de sete meses depois, em 17 de janeiro de 1961, foi assassinado. Historiadores apontam o envolvimento de autoridades belgas e dos serviços de inteligência dos Estados Unidos e do Reino Unido na execução.
Lumumba e a seleção
Décadas depois, outro símbolo passou a representar o povo congolês no cenário internacional. Um torcedor icônico da seleção, sempre nas arquibancadas vestido com roupas sociais com as cores da bandeira nacional, assiste aos jogos imóvel, em posição de aceno em referência a Lumumba.
A imagem do torcedor acompanhando a campanha da seleção correu o mundo ainda durante a campanha da RDC rumo à Copa. Tamanha foi a comoção, que a delegação congolesa convidou o torcedor Michel Nkuka Mboladinga para integrar a comitiva no torneio.
A história, porém, teve outros desdobramentos. Mboladinga, após assistir a sua seleção em partida no México, foi impedido de entrar nos Estados Unidos para acompanhar a sequência da campanha congolesa, e ficou de fora justamente dos jogos decisivos da equipe, conforme apuração do jornal O Globo.
Mesmo ausente das arquibancadas, outros compatriotas lembraram sua disposição e repetiram o gesto nas partidas dentro de estádios norte-americanos.