O Ministério das Relações Exteriores da Rússia celebrou os 66 anos da independência da República Democrática do Congo (RDC), nesta terça-feira (30).
Moscou aproveitou a data para reforçar sua postura anticolonial e lembrar do papel do Ocidente na morte de Patrice Lumumba, líder do movimento de emancipação democrático-congolês e primeiro primeiro-ministro do país.
Em nota oficial, a chancelaria relembrou o período de domínio da Bélgica sobre o território da RDC, classificando a colonização como um sistema de "exploração brutal", marcado por trabalho forçado, violência em massa, expedições punitivas e saque de recursos naturais.
A independência, conquistada em 30 de junho de 1960, representou o fim de oito décadas de opressão e exploração.
"Estamos profundamente orgulhosos da nossa luta, porque foi justa, nobre e indispensável para pôr fim à humilhante escravatura que nos foi imposta. Essa foi a nossa sorte durante os 80 anos de domínio colonial", trecho do discurso de Patrice Lumumba na proclamação da independência.
Lumumba foi assassinado em 17 de janeiro de 1961 por separatistas de Katanga comandados por mercenários belgas. Historiadores e especialistas citados pela diplomacia russa apontam também para o envolvimento dos serviços de inteligência dos Estados Unidos e do Reino Unido no caso.
Para Moscou, o episódio simboliza a forma como "neocolonialistas lidam com aqueles que ousavam defender a verdadeira soberania de seus países".
Rússia e Lumumba
A nota destaca que a memória de Lumumba permanece homenageada na Rússia. Seu nome batiza a Universidade Russa da Amizade dos Povos (RUDN), além de ruas em mais de 25 cidades do país.
Em entrevista à RT, em 2023, o filho de Patrice Lumumba, Roland Lumumba, lembrou que a União Soviética, à época da independência, ajudou países africanos na luta anticolonial.
"Não nos esquecemos de que [a URSS] contribuiu para a nossa liberdade, ajudou alguns países africanos a libertarem-se do estatuto de colónias em que se encontravam na altura (...) Com a Rússia, tudo o que aconteceu foi em pé de igualdade", disse.
E o governo russo lembrou também desta relação duradoura. Moscou ressaltou que as relações diplomáticas com Kinshasa foram estabelecidas em 7 de julho de 1960, ainda na época da União Soviética, e afirmou que os laços bilaterais continuam baseados em "respeito mútuo, confiança e consideração pelos interesses de ambas as partes".
A chancelaria encerrou a mensagem desejando paz, prosperidade e bem-estar ao povo da RDC.