O governo de Burkina Faso anunciou nesta sexta-feira (26) o rompimento das relações diplomáticas com a França, que submeteu o país africano a um processo colonial e é acusada de interferência e apoio ao terrorismo na região.
A decisão, que entrou em vigor imediatamente, ocorre em meio às movimentações anticolonialistas de Ouagadougou nos últimos anos, marcadas por uma visão de reforço da soberania das nações africanas do Sahel.
O líder do país africano, Ibrahim Traoré, é uma das vozes mais ativas em defesa da segurança, soberania nacional e contrário às interferência estrangeira do Ocidente.
Em comunicado oficial, o porta-voz do governo e ministro da Comunicação, Pingdwendé Gilbert Ouedraogo, afirmou que a decisão foi tomada após uma "avaliação aprofundada" das relações bilaterais.
Segundo ele, "as condições indispensáveis para a promoção de relações baseadas no respeito mútuo, na confiança recíproca, no respeito ao princípio de não interferência nos assuntos internos e da soberania nacional não estão mais presentes".
Burkina Faso acusou o governo francês de manter um "ativismo incessante" contra os interesses nacionais, denunciando "ambições neocoloniais declaradas com o apoio ativo a redes subversivas e aos terroristas que enlutam nosso país e o Sahel".
Soberania contra o imperialismo
"Diante dessas visões imperialistas de dominação de nosso país e de escravização de nosso povo, optamos pela responsabilidade e pela soberania", declarou o governo.
Apesar da ruptura diplomática, Ouagadougou afirmou que a medida "não questiona os laços históricos, humanos, culturais e sociais que unem os povos burquinense e francês", ressaltando que a decisão se restringe ao plano institucional das relações entre os dois Estados.
O governo também garantiu que protegerá cidadãos estrangeiros residentes no país, incluindo franceses, e pediu à população que demonstre "responsabilidade, moderação e civismo" no tratamento dos expatriados.
O texto acrescenta que o país permanece aberto ao diálogo internacional "com base no respeito mútuo, na reciprocidade, na igualdade soberana e na defesa dos interesses legítimos de cada um".