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Paquistão bombardeia Afeganistão, que acusa vizinho de atacar civis; versões são conflitantes

O governo paquistanês justifica a ofensiva como uma operação antiterrorista após ataques recentes. As autoridades afegãs, contudo, denunciam agressão contra civis.
Paquistão bombardeia Afeganistão, que acusa vizinho de atacar civis; versões são conflitantesRedes sociais / Hamdullah Fitrat

Afeganistão e Paquistão apresentaram versões contraditórias sobre uma série de ataques lançados pelo exército paquistanês durante a noite de domingo (28) para esta segunda-feira (30) em áreas fronteiriças, que deixaram mais de 20 mortos e dezenas de feridos.

O Paquistão afirma que a operação teve como alvo esconderijos e abrigos de militantes; já as autoridades afegãs alegam que os bombardeios atingiram áreas civis.

O Ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarardeclarou nas redes que a ofensiva incluiu uma "operação terrestre bem planejada e baseada em informações de inteligência" ao longo da fronteira entre os países, seguida de "ataques direcionados" na região fronteiriça.

Ele apontou que as forças de segurança realizaram uma operação "contra um grupo de terroristas" no distrito de Bajaur, onde um comandante de alta patente foi morto, juntamente com outras três pessoas, e várias outras ficaram feridas.

Três alvos teriam sido atingidos nas províncias de Paktia, Paktika e Kunar, 29 "terroristas" foram mortos e depósitos de armas foram destruídos.

Ele indicou que o golpe foi realizado após alguns "ataques terroristas" recentes que, segundo o governo paquistanês, teriam sido perpetrados por militantes contra civis em duas províncias paquistanesas na fronteira com o Afeganistão, bem como contra uma base de paramilitares paquistaneses na cidade de Karachi.

"Morte de dezenas de civis"

Por sua vez, o porta-voz do governo afegão, Zabihullah Mujahid, rejeitou a justificativa paquistanesa.

Ele afirmou que as ações militares afetaram áreas civis nos distritos afegãos de Gayan, Tsamkani e Manogai, deixando dezenas de vítimas civis, no que descreveu como um crime e um ato de agressão.

"Os ataques causaram a morte e ferimentos em dezenas de civis, incluindo mulheres e crianças. Condenamos veementemente este ato covarde de agressão e o consideramos um crime e um ato de brutalidade", denunciou.

O porta-voz adjunto do governo afegão, Hamdullah Fitratdisse os ataques provocaram a "morte de 36 civis — incluindo mulheres e crianças — e feriram outras 163 pessoas".

  • As tensões entre os países vizinhos aumentaram no ano passado após incidentes na fronteira e uma série de explosões, pelas quais ambos os lados se culparam mutuamente.
  • Em outubro passado, as partes concordaram com um cessar-fogo,em face de um acordo alcançado após negociações em Doha, mediadas pelo Catar e pela Turquia.
  • Contudo, as tensões entre as duas nações se intensificaram em fevereiro, com ataques mútuos e dezenas de mortes.