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Em evento na Argentina, Flávio promete alinhamento do Brasil com Israel e chama Lula de antissemita

Senador prometeu transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém e aderir aos Acordos de Abraão, inserindo o Brasil na chamada Onda Azul conservadora.
Em evento na Argentina, Flávio promete alinhamento do Brasil com Israel e chama Lula de antissemitaRedes sociais // Lula Marques/Agência Brasil

Durante a abertura da Latin America Chairmen's Conference, em Buenos Aires, Argentina, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) traçou no domingo (29) um panorama sobre suas intenções de aproximar a política externa brasileira de Israel caso seja eleito.

O evento foi promovido pela Israel Allies Foundation [Fundação dos Aliados de Israel, em português] em parceria com a American Friends of the Isaac Accords [Amigos Americanos dos Acordos de Isaac].

Flávio dirigiu críticas ao atual governo, indicando que o presidente Lula é "antissemita" e o acusando de ter rompido, na prática, as relações diplomáticas com Israel. Ele menciona que o Brasil permanece sem embaixador no país desde 2024, situação que prometeu reverter imediatamente após sua eventual posse.

Entre promessas, o senador se comprometeu a transferir a representação diplomática brasileira de Tel Aviv para Jerusalém e aderir aos Acordos de Abraão.

  • Os Acordos de Abraão são uma série de acordos bilaterais mediados pelos EUA durante o primeiro mandato de Donald Trump, em 2020, entre Israel e países árabes — especialmente os Emirados Árabes Unidos e Bahrein —, expandindo relações político-econômicas em um esforço adicional de reconhecimento da soberania de Israel sem compromissos de definição de fronteiras ou desocupação de território palestino, além de contenção da influência regional do Irã.

A proposta de transferência da embaixada foi igualmente uma promessa de campanha de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a corrida presidencial de 2018, inspirada pela política de Trump, aplicada no mesmo ano; na região, somente a Guatemala seguiu a medida.

A ideia é particularmente controversa por violar resoluções da ONU que estabelecem que o destino da cidade sagrada deve ser determinado mediante negociações entre israelenses e palestinos. É um ato tácito de reconhecimento unilateral de Jerusalém como capital israelense, rompendo com a tradição diplomática brasileira e com o consenso internacional, por maioria absoluta dos países, que mantém relações em Tel Aviv. 

Dentre os motivos elencados para explicar o anterior abandono da promessa de campanha pelo governo Bolsonaro, analistas apontam o custo elevado para relações comerciais com nações árabes, citando pressões diretas de organizações internacionais, como a Liga Árabe — que prometeu medidas "necessárias" se a ideia se concretizasse —, e dos próprios setores produtivos brasileiros; muitos deles então aliados ao governo, como o agronegócio.

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Alinhamento regional

O pré-candidato também declarou que, a partir de 2027, e um cenário de sua vitória, o Brasil estabelecerá vínculos fraternos com Israel, Argentina e Estados Unidos, posicionando-se ao lado de nações governadas por lideranças de direita.

Integrando-se como personagem da política regional, Flávio atribuiu ao presidente argentino Javier Milei o protagonismo na transformação política regional, elogiando as reformas econômicas implementadas no país.

Segundo sua avaliação, enquanto a Argentina se converteu em referência de recuperação, o Brasil caminha em direção oposta sob gestão petista, entregando "inflação e criminalidade" em vez de prosperidade.

O senador também contextualizou sua candidatura dentro da chamada "Onda Azul", movimento de ascensão conservadora nas Américas que, segundo ele, sucedeu governos progressistas vinculados ao Foro de São Paulo.

Ele cita como exemplos Donald Trump, Nayib Bukele, Daniel Noboa e Santiago Peña, afirmando que o Brasil representa "a peça que falta" nessa reconfiguração continental.