
Forças israelenses cometeram genocídio e crimes sexuais contra crianças palestinas, aponta ONU

Uma comissão de investigação internacional da ONU acusou Israel de realizar ataques intencionais contra crianças palestinas na Faixa de Gaza, reiterando as denúncias de genocídio na região.

O relatório foi publicado nesta terça-feira (23) pela Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental e Israel.
O presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, afirmou que o direcionamento de ataques contra o público infantil compromete a própria capacidade de existência e de autodeterminação do povo palestino.
Alvos deliberados
De acordo com os documentos, a investigação encontrou evidências de que as forças de segurança israelenses visaram e mataram crianças.
Para a comissão, esse fator é um elemento central para caracterizar a intenção genocida das autoridades de destruir o maior grupo populacional de Gaza.
"As evidências mostram que crianças palestinas têm sido alvos deliberados de assassinatos pelas forças de segurança israelenses", afirmou Muralidhar.
"Mesmo após o cessar-fogo de outubro de 2025, crianças continuam sendo mortas e gravemente feridas, com Israel desrespeitando continuamente o cessar-fogo e a proteção devida às crianças palestinas pelo direito internacional", disse.
Ele declarou ainda que as lesões físicas e mentais graves, traumas coletivos, orfandade, separação, deficiência, deslocamentos repetidos, fome e o colapso da educação e da saúde "apagaram a infância e continuarão a afetar as crianças em Gaza por toda a vida".
Submissão a tortura
Segundo ele, crianças palestinas foram presas e submetidas a tortura e outras formas graves de maus-tratos em prisões e centros de detenção israelenses, sem qualquer informação sobre seu paradeiro.
Muralidhar apontou o uso de violência sexual como parte de um padrão sistemático de opressão de gênero e étnica, enraizado no contexto da ocupação territorial e das hostilidades contínuas israelenses.
O governo de Israel rejeitou as conclusões, e alegou que o relatório é "difamatório".
Mais de 50 mil crianças foram mortas ou feridas pelas forças israelenses desde que Israel iniciou a guerra em Gaza, segundo a agência da ONU para a infância (UNICEF).

