
Não é só estresse: cientistas descobrem como a genética é determinante para ansiedade

Um estudo internacional de larga escala, publicado em 09 de junho na revista Nature Human Behaviour, identificou o maior número de associações genéticas relacionadas à ansiedade já registrado pela ciência.

A pesquisa foi conduzida por especialistas do King’s College de Londres e do instituto QIMR Berghofer e utilizou dados genéticos de quase 700 mil pessoas para mapear os mecanismos biológicos que sustentam o transtorno.
Diferente do modelo clínico tradicional, que classifica a ansiedade de forma binária entre pacientes e não pacientes, o estudo propôs uma visão de espectro.
Nessa perspectiva, o quadro varia desde respostas naturais ao estresse cotidiano até transtornos crônicos e incapacitantes.
O levantamento busca preencher uma lacuna histórica, já que as bases genéticas da ansiedade têm sido menos exploradas do que as de condições como esquizofrenia e transtorno bipolar.
Resultados inéditos
Por meio de uma técnica de associação genômica ampla (GWAS), os pesquisadores localizaram 74 regiões do genoma ligadas aos sintomas de ansiedade.
Metade dessas regiões é inédita para a ciência. Os resultados destacam genes como PCLO e SORCS3, que atuam na comunicação entre células nervosas no cérebro.
Além do impacto mental, a análise revelou correlações genéticas entre a ansiedade e condições físicas, como depressão, síndrome do intestino irritável, enxaqueca e doenças coronárias.
Segundo a coautora do estudo, Brittany Mitchell, os achados reforçam a interconexão entre saúde mental e física, embora ainda seja necessário investigar se as variantes genéticas causam ambas as condições ou se doenças crônicas elevam os níveis de ansiedade.
