
Gene que promove juventude esconde custo que preocupa cientistas

Uma equipe internacional de pesquisadores, com a participação da Universidade Hebraica de Jerusalém (Israel), identificou um gene que favorece o crescimento rápido e a reprodução precoce. Porém, ele também aumenta o risco de envelhecimento acelerado e câncer em fases avançadas da vida.
A descoberta, publicada na revista Nature Communications no início de junho, traz evidências experimentais para a teoria da pleiotropia antagônica, segundo a qual certos genes podem oferecer vantagens no início da vida, mas prejudicar a saúde posteriormente.
Para comprovar a hipótese, os cientistas modificaram, por meio da tecnologia de edição genética CRISPR, o gene vgll3 no peixe killi-turquesa africano (Nothobranchius furzeri), uma espécie que se tornou modelo para o estudo do envelhecimento.

Os custos ocultos para a saúde
Os resultados mostraram que os peixes com o gene alterado cresceram mais rápido e atingiram a maturidade sexual mais cedo, o que lhes conferia uma vantagem reprodutiva. No entanto, eles também viveram menos tempo e desenvolveram mais tumores associados à idade, incluindo cânceres semelhantes ao melanoma.
O professor Itamar Harel explicou que essa descoberta ajuda a responder por que "os corpos não podem se manter indefinidamente" e resumiu a lógica evolutiva com uma frase: "A natureza não prioriza a longevidade, mas a continuidade". "Fomos projetados para correr a toda velocidade, não para fazer maratonas", acrescentou.
O gene vgll3 influencia a divisão celular, a atividade das células-tronco e o reparo do DNA. De acordo com os pesquisadores, embora também esteja presente em humanos e esteja relacionado à puberdade, este estudo oferece pistas que podem ajudar a compreender melhor o envelhecimento e as doenças associadas a ele, e até mesmo a buscar formas de separar seus efeitos positivos dos prejudiciais.
