
O que a China busca ao testar porta-aviões Liaoning?

O Liaoning, o primeiro porta-aviões da China, concluiu uma extensa missão de treinamento de mais de 40 dias em alto mar, retornando à sua base em Qingdao nesta semana, segundo informou a mídia chinesa.
As manobras foram realizadas em vários locais estratégicos no Mar da China Meridional e no Oceano Pacífico Ocidental, simulando cenários avançados de combate. Além disso, durante a missão, o grupo de combate testou novas táticas, incluindo a integração com aeronaves-tanque baseadas em terra e a coordenação com um navio de assalto anfíbio.
Back to Port:
— China Military Bugle (@ChinaMilBugle) June 22, 2026
A Chinese PLA Navy’s task force led by aircraft carrier Liaoning (Hull 16) completed its 40-odd open-sea combat training in the South China Sea and the Western Pacific Ocean, and returned to home port in east China’s Qingdao city on Monday.#Liaoning#辽宁舰#CV6… pic.twitter.com/yqbJOnIId8
Um aspecto notável desse treinamento foi a inclusão do navio de assalto anfíbio tipo 075 Anhui, com número de casco 33, o que marcou uma das raras ocasiões em que esse tipo de embarcação opera ao lado de um porta-aviões. O Anhui, que entrou em serviço em 2022, é capaz de transportar 30 helicópteros armados e realizar seis decolagens e pousos simultâneos, embora não possa operar aeronaves de asa fixa.
Também participaram helicópteros Z-20 decolando do Anhui e um avião-tanque YY-20.
Vantagens táticas

Fu Qianshao, analista militar e ex-oficial da Força Aérea do Exército Popular de Libertação, destacou as diferenças funcionais entre os dois tipos de navios. Os navios de assalto anfíbio se especializam principalmente em operações de desembarque e apoio às forças terrestres, enquanto os porta-aviões se concentram em ataques marítimos e aéreos de longo alcance.
No entanto, Fu observou que a coordenação entre eles oferece vantagens táticas. "As forças de porta-aviões podem fornecer cobertura de fogo e apoio aos navios de assalto anfíbio durante as operações de desembarque, enquanto ambos os lados também podem oferecer serviços e plataformas de decolagem e pouso para os helicópteros de suas respectivas embarcações", afirmou. Além disso, ele destacou que a coordenação flexível entre os dois tipos de navios de guerra pode fortalecer as capacidades de assalto marítimo.
Nesse contexto, o especialista explicou que, como o YY-20 só pode decolar de pistas terrestres, sua integração nas manobras do grupo de ataque do porta-aviões representa um exercício de coordenação entre as forças aéreas baseadas em terra e as unidades navais.
Capacidade operacional
O ex-oficial destacou que Pequim projetou seus aviões-tanque para que possam reabastecer tanto caças da Força Aérea quanto da Marinha, o que facilita as operações marítimas e aéreas coordenadas. Por isso, a capacidade do YY-20 de fornecer reabastecimento aéreo no Pacífico Ocidental amplia significativamente o raio operacional das aeronaves embarcadas.
"O número de decolagens e pousos de aeronaves embarcadas reflete o nível de capacidade de combate gerado, enquanto o treinamento noturno e ao entardecer em diferentes condições marítimas demonstra que a China busca desenvolver uma capacidade operacional de aeronaves embarcadas para todos os tipos de clima, semelhante à dos EUA", concluiu.
