O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o programa de mísseis iraniano não foi incluído no memorando de entendimento assinado recentemente com os Estados Unidos e garantiu que a questão dos mísseis "jamais será objeto de discussão".
Em uma conferência de imprensa em Islamabad com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, o presidente iraniano afirmou ainda que o poder defensivo do Irã impediu que os inimigos causassem ao país uma catástrofe semelhante à sofrida em Gaza.
"Se não fosse por nossas armas defensivas, os inimigos, assim como nas tragédias de Gaza, devastariam o país e não teriam piedade nem dos jovens nem dos idosos", afirmou.
Ele classificou alegações de "violações dos direitos humanos" feitas por potências estrangeiras como "uma grande mentira" e sustentou que tais argumentos apenas encobrem intenções hostis.
O que se sabe sobre o programa de mísseis do Irã?
O desmantelamento do programa de mísseis iraniano é uma prioridade estratégica para Israel e EUA, que o consideram uma ameaça direta aos seus interesses de segurança, aos seus aliados e à sua capacidade de dissuasão em uma região crítica.
- Magnitude do arsenal: O Irã possui o maior arsenal de mísseis balísticos no Oriente Médio, com sistemas capazes de atingir bases militares americanas na região, bem como aliados como Israel e os países árabes do Golfo Pérsico. O país conta com milhares de mísseis balísticos armazenados, muitos deles em depósitos subterrâneos, e tem a capacidade de reconstruir os lançadores danificados por ataques.
- Alcance em expansão: Teerã tem demonstrado uma capacidade em expansão que preocupa Washington. Durante o recente conflito, o Irã lançou mísseis contra a base de Diego Garcia, no Oceano Índico, a quase 4 mil quilômetros de distância, superando as estimativas anteriores que situavam seu alcance máximo em 2.000 km. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os mísseis iranianos atualmente podem atingir a Europa e que, em um futuro não muito distante, poderiam ter capacidade para atingir o território dos Estados Unidos.
- Desenvolvimento e investimento: O desenvolvimento desse poderio é resultado de mais de 25 anos de investimento na área de mísseis por parte do Ministério da Defesa, das Forças Armadas, do setor privado e de empresas de tecnologia locais. As autoridades iranianas afirmam que a superioridade do país em matéria de mísseis é reconhecida por observadores internacionais e que os Estados Unidos e Israel não conseguiram atingir seu objetivo de desmantelar esse programa durante a guerra.
Eficácia comprovada: Durante os ataques de retaliação, o Irã utilizou mísseis que conseguiram contornar os sistemas antiaéreos Patriot de fabricação norte-americana, informou o Financial Times. Essa capacidade de saturar e superar as defesas aéreas é uma das principais preocupações de Washington e de seus aliados na região.
Impacto nas reservas dos Estados Unidos: O alto consumo de munições americanas durante o conflito reduziu significativamente as reservas militares do país e sua capacidade de enfrentar ameaças em várias regiões do mundo. No final de abril, os Estados Unidos já haviam disparado entre 1,5 mil e 2 mil mísseis de defesa aérea essenciais, incluindo interceptores THAAD, Patriot e Standard Missile, segundo o Wall Street Journal. Um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) estimou que as munições utilizadas representam um terço dos mísseis antiaéreos SM-6, quase metade dos SM-3, mais de dois terços dos interceptores Patriot e mais de 80% dos interceptores THAAD disponíveis antes da guerra.